O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá amanhã o líder nicaraguense, Daniel Ortega, para discutir diversos assuntos bilaterais, assim como o conflito entre Colômbia e Venezuela e a situação política de Honduras.
A visita de amanhã será a primeira de Ortega ao Brasil desde que assumiu o poder e tem como objetivo reforçar os laços políticos, econômicos e comerciais, bem como a cooperação na área de energia e biocombustíveis.
O líder nicaraguense havia previsto visitar Brasília em 14 de março de 2007, três meses após assumir a Presidência, mas suspendeu sua viagem em cima da hora devido a um problema técnico num avião que o Governo venezuelano tinha emprestado para se deslocar.
Para o encontro de amanhã, fontes oficiais disseram à Agência Efe que Lula e Ortega discutirão uma “agenda aberta”. Segundo elas, no âmbito político, a reunião se centrará no conflito diplomático entre Venezuela e Colômbia e a situação de Honduras, cujo novo Governo ainda não foi reconhecido nem pelo Brasil nem pela Nicarágua.
Tanto Lula quanto Ortega sustentam que ainda “não há condições” para reconhecer o Governo hondurenho de Porfirio Lobo, quem em novembro ganhou as eleições convocadas após o golpe de Estado que destituiu, em junho do ano passado, o então líder Manuel Zelaya.
Brasil e Nicarágua concordam que, para ser reconhecido, o Governo Lobo deve avançar em um “processo de reconciliação nacional” e, sobretudo, gerar as “condições necessárias” para o retorno do ex-presidente Zelaya a Honduras.
Em relação à ruptura de relações com a Colômbia decidida nesta semana pela Venezuela, Daniel Ortega manifestou sua “solidariedade” ao Executivo de Hugo Chávez e acusou o Governo Álvaro Uribe de tentar “provocar um conflito” antes de entregar o poder ao presidente eleito colombiano, Juan Manuel Santos, no próximo dia 7.
Já neste ponto, o Brasil foi mais moderado, lamentando a ruptura de relações entre Caracas e Bogotá e manifestou sua vontade de contribuir para a recuperação do “diálogo”.
Lula recebeu nesta segunda-feira o ministro de Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro, e, segundo fontes oficiais, ratificou sua intenção de ajudar a “recuperar e construir confiança” nas relações entre Colômbia e Venezuela.
Além desses conflitos regionais, Lula e Ortega avaliarão o andamento de diversos programas por meio dos quais Brasil coopera com Nicarágua nas áreas de agricultura, casas populares, saúde, educação, energia e combate à fome.
No setor de energia, Brasil ofereceu à Nicarágua sua experiência e tecnologia para a produção de etanol de cana-de-açúcar – produto abundante na América Central – e também apoio ao desenvolvimento de projetos hidrelétricos.
O mais importante é a construção da represa hidroelétrica de Tumarín, na Região Autônoma do Atlântico Sul da Nicarágua, que terá capacidade para gerar 220 megawatts e cujas obras foram licitadas a um consórcio liderado pela empresa brasileira Queiroz Galvão.