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Lula faz 1º reunião geral de campanha e admite falhas nas redes; Gleisi cobra TSE e STF

Cada um desses temas será discutido em pequenos grupos. A ideia é que eles dialogem com a coordenação da pré-campanha

Por FolhaPress 23/05/2022 5h45
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Juiz de Fora, interior do estado de Minas Gerais. – Eduardo Anizelli/ Folhapress

Victoria Azevedo e Catia Seabra
São Paulo, SP e Rio de Janeiro, RJ

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) se reuniram nesta segunda (23) pela primeira vez com a coordenação geral da pré-campanha para discutir o papel que cada partido da coligação terá, a conjuntura atual e os próximos passos.

O encontro contou com a presença dos presidentes dos sete partidos (PT, PSB, Solidariedade, PSOL, PC do B, PV e Rede), além de representantes das siglas, como os ex-governadores Márcio França (PSB) e Wellington Dias (PT), o ex-ministro Luiz Dulci e o líder sem-teto Guilherme Boulos (PSOL).

Participaram também os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Paulo Rocha (PT), os prefeitos João Campos (PSB-PE) e Edinho Silva (PT-SP), os deputados federais Rui Falcão (PT-SP), Ivan Valente (PSOL-SP), Paulo Teixeira (PT-SP) e Reginaldo Leite (PT-MG).

A socióloga Rosângela da Silva, a Janja, esposa do petista, também participou. A reunião ocorreu em um hotel em São Paulo.

No começo do encontro, Marcos Coimbra, diretor do Instituto Vox Populi, fez uma apresentação sobre o cenário político.

Coimbra levantou três elementos em sua fala sobre pesquisas: uma “estabilidade inédita” dos índices de intenção de voto nas pesquisas, com favoritismo de Lula; consolidação de votos em torno do petista e do presidente Jair Bolsonaro (PL); e uma tendência de antecipação para liquidar a fatura no primeiro turno.

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Na reunião, ao descrever Alckmin como um “vice dos sonhos”, Lula afirmou que não achava que encontraria um vice tão qualificado quanto José Alencar. Mas que, agora, teria mudado de opinião e que não teria vice melhor que o ex-tucano.

Segundo o deputado federal Ivan Valente (PSOL), que participou do encontro, Lula lembrou que tem sido cobrado a apresentar novidades em seus discursos, em vez de falar de sua gestão passada.

O ex-presidente disse, no entanto, que o novo hoje é a volta da valorização do salário mínimo e da retomada do papel do estado como indutor do crescimento social e econômico. Lula voltou a se manifestar contra a privatização de Eletrobras e Petrobras.

O ex-presidente falou que foi cobrado a se manifestar sobre o caso de Daniel Silveira, mas não se deixaria pautar pelo discurso de Bolsonaro. Ele admitiu ser necessário melhorar a atuação da campanha nas redes, mas é a política que vai definir a eleição.

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À imprensa a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, criticou Bolsonaro e afirmou que a campanha deste ano será “muito judicializada por conta das barbaridades que eles fazem”.

“Espero que as instituições, principalmente o TSE [Tribunal Superior Eleitoral], tomem medidas firmes em relação a fake news e a propagação de fake news”, disse.

Ela afirmou ainda que espera ter uma conversa com o TSE sobre o aplicativo de mensagens Telegram.

“Vai ter um escritório aqui? Tem algum representante? Vai ter regras sobre isso? Ou vai ser terra de ninguém, vai poder falar o que quiser, do jeito que quiser e todo mundo vira vítima?”

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“Porque tem um momento em que nós somos as vítimas, mas depois as vítimas também passam a ser as instituições como está sendo o TSE e o Supremo Tribunal Federal. Eles têm responsabilidade em relação a isso para fazer com que esse processo eleitoral seja o mais limpo possível.”

Gleisi disse ainda que a coordenação da pré-campanha ainda não discutiu uma eventual aproximação com o ex-governador João Doria, que anunciou nesta segunda que não irá mais concorrer à Presidência.

“Não somos contra conversar com ninguém que se coloca nesse campo democrático, mas isso ainda não foi discutido”, disse.

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A deputada seguiu dizendo que a coligação trabalha para ampliar alianças com figuras políticas e demais partidos, entre eles PSD, MDB, Avante e Pros. E disse que será uma eleição “disputada e dura”.

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“Sabemos como eles jogam com as fake news, violência, tentativa de mudar de foco aquilo que é essencial, que é a vida do povo (…) é a democracia contra o autoritarismo.”

Antes do encontro começar, aliados de Lula afirmaram que era possível antecipar o resultado das eleições para o primeiro turno e disseram que era preciso ampliar as alianças —para além do campo da esquerda.

Presidente do Solidariedade, o deputado federal Paulinho da Força afirmou que é possível atrair partidos da chamada terceira via. “Como a terceira via vem definhando a cada dia que passa, acho que é possível ampliar as alianças nesses partidos que os candidatos não pegaram no tranco e nem vão pegar” disse.

Para ele, Alckmin poderá atuar na ampliação das alianças.

“Ele tem espaço hoje no Brasil inteiro e pode trabalhar para fazer isso e além da esquerda, ir além do centro. A eleição vai se estreitar cada dia mais, eu não acredito em segundo turno. Por isso precisamos fazer que a candidatura do Lula seja a de quem quer tirar o Bolsonaro e reconstruir o Brasil”, disse.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que mantém diálogo com candidaturas de nomes como Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) e que é preciso “sentar à mesa com todos os partidos em defesa da democracia”.

“O resultado dessas eleições não será aceito por Jair Bolsonaro. Derrotá-lo no primeiro turno é uma necessidade para a democracia brasileira, é civilizatória. Não sei se conseguiremos, não quero subestimar”, disse o parlamentar.

Guilherme Boulos, que presidirá a federação PSOL-Rede, disse que é preciso discutir estratégias de mobilização da pré-campanha.

“Essa vai ser uma campanha de mobilização pelo nível de polarização, pela forma odiosa como Bolsonaro tenta trazer o debate. Vamos precisar de mobilização da sociedade para que o Lula consiga uma vitória forte, expressiva e que também não dê margem nem brecha para qualquer alucinação golpista”, afirmou.

O prefeito de Recife, João Campos (PSB), afirmou ainda que as eleições irão exigir “desprendimento de todos nós” e que Alckmin trará “legitimidade”.

“A própria figura dele fala por si. Ele tem um perfil muito conciliador, é uma pessoa que consegue ter legitimidade e ser muito respeitada em segmentos importantes da sociedade. A máxima de uma eleição é a capacidade de juntar. Vence quem junta, quem agrega, inclusive, os diferentes.

Ainda hoje, será realizada reunião de trabalho com representantes dos partidos sobre áreas temáticas da pré-campanha, como agenda, finanças, comunicação, mobilização e programa de governo.

Cada um desses temas será discutido em pequenos grupos. A ideia é que eles dialogem com a coordenação da pré-campanha ao longo deste ano.

Na próxima semana, Lula e Alckmin deverão seguir para agendas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina —será a primeira viagem da dupla. ​








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