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Política & Poder

Lula e Flávio Bolsonaro tentam mobilizar eleitores em estados sem 2º turno para governador

Este ano, apenas seis unidades da federação terão segundo turno para definição dos governos estaduais

Redação Jornal de Brasília

17/10/2026 20h18

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Fotos: Ricardo Stuckert/PR e Evaristo Sá/AFP

AUGUSTO TENÓRIO, CAIO SPECHOTO, CAROLINA LINHARES, CATIA SEABRA E MARIANA BRASIL

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegam a uma semana do segundo turno da eleição presidencial com o desafio de mobilizar seus apoiadores para não perderem votos em estados que já resolveram as disputas locais.

Sem a disputa para governador, a estrutura de campanha fica menos robusta. Isso ocorre nos três maiores colégios eleitorais do Brasil, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde a eleição local se encerrou em 4 de outubro. Todos deram vantagem a Flávio no primeiro turno.

Este ano, apenas seis unidades da federação terão segundo turno para definição dos governos estaduais.

A campanha de Flávio aposta nos governadores eleitos para arregimentar a base. A preocupação no PL, por exemplo, é que eleitores não bolsonaristas nesses locais não se sintam estimulados a sair de casa para votar somente em Flávio.

Outro motivo de atenção para a abstenção é que, segundo pesquisa Quaest divulgada na última quarta-feira (14), 43% dos eleitores que anularam, votaram em branco ou não foram às urnas declaram voto em Lula. Por outro lado, 38% declaram voto em Flávio Bolsonaro.

Uma ala da campanha de Flávio é menos alarmista. Ressalta que a eleição de 2022 foi a única do passado recente com queda de abstenção entre os turnos, indo de 20,9% para 20,5%.

Em 2018 e 2014, o movimento foi contrário: mais eleitores deixaram de votar no segundo turno.

Esse grupo acredita que Lula pode enfrentar dificuldade no Nordeste. O petista lidera na região, mas só no Rio Grande do Norte haverá segundo turno.

Após uma onda de otimismo entre aliados de Flávio devido à dianteira de 2,2 milhões de eleitores no primeiro turno, a mobilização pró-Lula, nas ruas e nas redes, acendeu um alerta nos bastidores do PL e com isso o contra-ataque se intensificou.

A equipe do bolsonarista criou o canal de WhatsApp “Tropa do Flávio”, em resposta ao “Exército do Lula”, liderado pelo deputado André Janones (Rede-MG), e estabeleceu um calendário de atos pelo país.

Há ainda a aposta na realização de comícios na rua, em resposta aos atos a favor do petista que se espalharam pelo país. Para isso, Flávio se apoia nos chamados “bloquinhos”, convocados por aliados, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

Nessa frente, a ideia é dar protagonismo ao comício de domingo (18), na avenida Paulista, em que se pretende reunir senadores e governadores eleitos em todo o Brasil.

Um auxiliar do senador disse esperar que a perspectiva de poder influencie políticos eleitos a entrarem de cabeça na campanha presidencial. A demanda sobre os aliados eleitos também é feita nas redes, e aumentou com a criação do “Flaviômetro” pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO).

Trata-se de um site que mede por meio de inteligência artificial se os perfis estão pedindo votos a Flávio ou não e ainda cria um ranking com os campeões de menções ao presidenciável.

O próprio candidato do PL tem insistido, em discursos e entrevistas, que a eleição não está ganha. Ele tem pedido que cada eleitor seu vote novamente no dia 25 e leve ao menos uma pessoa a mais.

LULA APOSTA NOS CANDIDATOS DA BASE

Atrás no primeiro turno, Lula e sua campanha têm mostrado força de reação nas redes e nas ruas. Nas reuniões travadas desde os resultados de 4 de outubro, a equipe petista tem pedido mobilização dos candidatos eleitos e também dos derrotados.

A expectativa é que as pesquisas passem a refletir as mobilizações de rua dos últimos dias. A campanha quer mapear, a partir desses resultados, onde o presidente tem maiores chances de ampliar seus votos.

O time de Lula distribuiu metas locais, inclusive para candidatos que não conquistaram mandatos. No caso do Nordeste, o presidente conta com governadores aliados para ajudar prefeitos a manterem ativas linhas de transporte público gratuitas no dia da eleição. O passe livre é determinação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Um dos casos é o de Renan Filho (MDB). Ele perdeu a disputa pelo Governo de Alagoas, mas recebeu a incumbência de manter mobilizações políticas locais. Aliados acreditam que é possível melhorar o resultado e chegar mais perto dos níveis de votação que o petista teve em outras eleições.

Uma das instruções é reforçar junto à população a informação de que o voto em segundo turno é mais rápido do que no primeiro. “Nós vamos aumentar a participação porque primeiro turno é muito complexo, tem muitas filas, demora para votar. Tem gente que passou duas ou três horas numa fila.

Agora não, é só um voto”, disse o senador e ex-ministro Camilo Santana (PT-CE), integrante do núcleo duro da campanha petista.

Outro ponto de investimento são as conquistas recentes de propostas do governo no Congresso: o fim da escala 6×1 e o aumento do limite e perdão de dívidas dos MEIs (Microempreendedores Individuais).

O investimento está concentrado, por ora, em importantes colégios eleitorais para os quais o petista já tem previsão de viagem, como Minas Gerais. Estados do Nordeste como Bahia, Maranhão e Pernambuco também estão no radar e ainda podem entrar no roteiro, de acordo com o coordenador-geral da campanha, Edinho Silva.

Entre as apostas para reduzir a abstenção, está o confronto direto entre Lula e Flávio nos debates. Para os petistas, esse tipo de embate, que não ocorreu no primeiro turno, tem potencial decisivo no eleitor indeciso.

Existe uma preocupação especial da campanha petista com o eleitorado idoso. Lula tem apoio nesse estrato social, mas a abstenção desse grupo costuma ser maior.

aleria Veja disputas de 2º turno nas eleições estaduais de 2026 Primeiro turno das eleições ocorre neste domingo (4) em todo o Brasil.

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