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Política & Poder

Lula e Flávio Bolsonaro adotam estratégia de restringir participação em debates presidenciais

Campanhas avaliam que confrontos com os demais candidatos podem ampliar exposição a ataques a 45 dias do primeiro turno

João Victor Rodrigues

20/08/2026 6h51

lula flavio bolsonaro

Fotos: Evaristo Sá/AFP e Ricardo Stuckert/PR

A 45 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) adotaram estratégias semelhantes para reduzir a participação dos candidatos em debates e sabatinas. Os dois postulantes avaliam que os confrontos com adversários podem gerar desgaste durante a disputa. A decisão ocorre enquanto as principais candidaturas intensificam a preparação para a reta decisiva da campanha. O primeiro debate está previsto para domingo (23/8), na TV Bandeirantes.

No caso de Lula, integrantes da campanha indicam que o presidente não deve comparecer ao encontro da Band. O argumento é que o petista poderia se transformar no principal alvo dos ataques dos demais concorrentes, especialmente por ser o candidato mais competitivo do campo da esquerda. A equipe também questiona a composição dos convidados e afirma que alguns nomes não precisariam ser chamados segundo os critérios previstos na legislação eleitoral. A emissora convidou Lula, Flávio, Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).

A legislação estabelece que emissoras devem convidar candidatos de partidos que tenham pelo menos cinco representantes no Congresso Nacional, considerando os parlamentares eleitos em 2022 e desconsiderando mudanças partidárias posteriores. O Novo elegeu três deputados federais naquele pleito, embora atualmente tenha cinco deputados e um senador. O Missão, criado mais recentemente, possui atualmente apenas um deputado com mandato. A campanha de Flávio, por sua vez, decidiu condicionar a presença do senador nos debates à participação de Lula, segundo o coordenador da candidatura, Rogério Marinho (PL-RN).

A estratégia do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também busca evitar que ele fique exposto aos ataques dos demais concorrentes. Inicialmente, a campanha previa participação em todos os debates, mas mudou de posição diante do aumento das críticas dos adversários. No entorno de Lula, a prioridade é preservar o presidente de confrontos que possam ampliar seu desgaste. O petista deverá participar apenas do debate da TV Globo, previsto para 1º de outubro, três dias antes da votação do primeiro turno.

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