O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (8), a proibição das apostas eletrônicas de quota fixa, conhecidas como bets, no Brasil. Em entrevista ao canal ICL Notícias, Lula expressou preocupação com o nível de endividamento da população e o agravamento de problemas de saúde pública decorrentes do vício em jogos.
“Se depender de mim, a gente fecha as bets”, afirmou o presidente, ressaltando que uma decisão final depende de articulação com o Congresso Nacional. Ele argumentou que o endividamento no país tem raízes em baixos salários e que o governo estuda propostas para ajudar famílias a quitar dívidas, mas alertou que as apostas potencializam o problema com promessas de ganhos rápidos.
Lula lamentou os impactos negativos, afirmando conhecer casos de pessoas que perderam carro e casa, além de suicídios relacionados ao vício. “Todo mundo quer ganhar um dinheirinho a mais, mas quando a pessoa está viciada no jogo, tem que tratar isso como uma questão de saúde”, disse.
O presidente comparou a situação atual à proibição histórica de cassinos e do jogo do bicho, criticando como a tecnologia permite acesso fácil ao jogo, inclusive por crianças. “Hoje o cassino está dentro da sua casa, com o seu filho de 10 anos utilizando o celular do pai”, exemplificou. Ele rebateu críticas sobre dependência de patrocínios para clubes de futebol, lembrando que o esporte existiu por um século e meio sem as bets.
Apesar da defesa pela proibição, o setor enfrenta debate político complexo devido à influência sobre parlamentares e partidos. As apostas foram legalizadas desde 2018 pela Lei 13.756/2018, com regulamentação em 2023 pela Lei 14.790/2023, que incluiu jogos online. O Ministério da Fazenda criou a Secretaria de Prêmios e Apostas em 2024, publicando dezenas de portarias com regras.
A regulamentação tem impulsionado a arrecadação: em janeiro e fevereiro deste ano, a tributação sobre apostas online e jogos de azar gerou R$ 2,5 bilhões, contra R$ 756 milhões no mesmo período de 2023, um crescimento de 236%. De acordo com o Banco Central, no primeiro trimestre de 2025, os apostadores destinaram até R$ 30 bilhões por mês às bets.
Com informações da Agência Brasil