O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta terça-feira, 3 de março, da sessão solene de abertura da II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT), em São Paulo. O evento, que ocorre até quinta-feira (5), visa estabelecer diretrizes para a promoção do trabalho decente no país.
Em seu discurso, Lula enfatizou que o Brasil só progredirá se os trabalhadores melhorarem de vida. “O Brasil não entrará no rol dos países envolvidos se o trabalhador não entrar junto. O trabalhador precisa melhorar de vida para o país melhorar de vida. Quanto mais o trabalhador ganhar, mais o patrão ganhará”, ressaltou. Ele defendeu a construção de propostas que interessem a empresários e trabalhadores, para proporcionar mais tempo para estudo, família e descanso. Lula também comentou os debates sobre a redução da jornada de trabalho, sugerindo negociações em vez de imposições judiciais.
Durante a abertura, o Governo do Brasil lançou a plataforma QualificaBr, que reúne oportunidades de formação profissional em redes públicas. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou que, nos últimos três anos, o Brasil gerou um saldo positivo de 4.516.175 empregos formais, com mais de 80% preenchidos por jovens menores de 24 anos. Ele incentivou a divulgação da plataforma, que já registrou mais de duas mil acessos logo após o lançamento às 18h30.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apontou avanços econômicos sob o governo, incluindo a menor inflação acumulada em quatro anos e a menor taxa de desemprego da série histórica do IBGE. Ele mencionou a recuperação do piso da saúde e da educação, a valorização do salário mínimo e acordos com o funcionalismo público.
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, defendeu o fim da escala 6×1 sem redução salarial, com base em estudo do Ipea, e exaltou a aprovação da lei de igualdade salarial entre homens e mulheres. Ela pediu apoio dos sindicatos à campanha contra o feminicídio.
A diretora Regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para a América Latina e Caribe, Ana Virgínia Moreira, classificou o Brasil como referência ética e política no mundo do trabalho. Ela elogiou a atuação brasileira em coalizões globais e destacou a presença de delegações de sete nações parceiras no evento.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, enfatizou a importância da conferência para debater temas como formação profissional, inclusão produtiva, fortalecimento do Fundo de Amparo ao Trabalhador e Previdência Social.
A II CNT debaterá qualificação profissional, proteção social, inclusão produtiva, negociação coletiva e preparações para transformações tecnológicas, digitais, ecológicas e demográficas. O processo preparatório incluiu etapas estaduais e distrital entre setembro e dezembro de 2025, com mais de 2.800 delegados e 386 propostas.
Em dados recentes, o Brasil criou 112.334 postos de trabalho com carteira assinada em janeiro, segundo o Novo Caged, elevando o estoque para mais de 48,5 milhões de vínculos formais. No acumulado de 12 meses, de fevereiro de 2025 a janeiro de 2026, foram 1.228.483 novos empregos.