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Política & Poder

Lula critica países ricos e Trump em encontro da Cúpula Amazônica

Em Bogotá, presidente defendeu soberania dos países da região, cobrou compromissos ambientais de nações desenvolvidas e fez críticas a Donald Trump e ao unilateralismo dos EUA

Redação Jornal de Brasília

22/08/2025 16h46

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (22), em Bogotá, que o Brasil lançará durante a COP 30 o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). A iniciativa pretende captar recursos de países, empresas e entidades para financiar ações de conservação em países em desenvolvimento.

“Quero ver quem vai contribuir para manter a floresta em pé e os indígenas vivos”, disse Lula, reforçando que desde o início do terceiro mandato cobra que países mais ricos cumpram as doações prometidas para financiar preservação ambiental, transição energética e desenvolvimento sustentável.

Enfoque na COP 30

A conferência da ONU sobre o clima ocorrerá em novembro, em Belém (PA). O governo brasileiro afirma que a escolha da cidade tem como objetivo mostrar a realidade da Amazônia, em vez de realizar o evento em grandes centros urbanos.

“Não quero que a COP seja um desfile de discursos ou panfletos, quero conclusões que nos tirem da mesmice”, afirmou Lula. Até o momento, apenas 47 dos 196 países convidados confirmaram presença. Diante do alto custo da hospedagem em Belém, a ONU solicitou ao Brasil subsídios para as delegações.

Críticas a Trump e ao unilateralismo

No encontro da Cúpula Amazônica, Lula também criticou a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele lembrou a saída norte-americana do Acordo de Paris e afirmou que Trump toma decisões “sozinho”, sem levar em conta organismos multilaterais como a ONU e a Organização Mundial do Comércio.

Segundo Lula, enviou carta convidando Trump para a COP 30 e pretende chamar outros chefes de Estado. O movimento se soma à reação do governo brasileiro ao envio de navios de guerra ao Caribe pelo republicano, sob a justificativa de enfrentar cartéis de drogas latino-americanos. A ação foi vista por países da região como ameaça à soberania nacional.

Defesa da soberania amazônica

Em resposta, Lula declarou que a missão de combater crimes cabe aos próprios países amazônicos. Ele anunciou que convidará os presidentes da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) — composta por Brasil, Colômbia, Bolívia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela — para inauguração, em 9 de setembro, em Manaus (AM), de um centro de cooperação policial internacional.

De acordo com Lula, o espaço será “muito importante para combater o garimpo ilegal, o narcotráfico e o contrabando de armas”.

Críticas a países ricos

O presidente também acusou nações desenvolvidas de tentarem impor modelos que não atendem aos interesses dos países amazônicos. Segundo ele, a luta contra o desmatamento tem sido usada como justificativa para medidas protecionistas, enquanto o combate ao crime organizado serve de pretexto para violações de soberania.

“Há muito tempo que os países ricos nos acusam de não cuidar da floresta. Aqueles que poluíram o planeta tentam impor modelos que não nos servem”, afirmou Lula.

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