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Política & Poder

Lula critica ausência de Tarcísio em evento de fábrica de trens em Araraquara

“Lamento profundamente que o governador não esteja aqui. Lamento. Ele poderia falar o que ele quisesse. Agradecer ou não agradecer, porque é um investimento de quase R$ 7 bilhões para São Paulo, para gerar empregos, para trazer tecnologia, para trazer modernidade inclusive para atender os trens de São Paulo”, disse o presidente

Redação Jornal de Brasília

25/03/2026 15h35

Foto: Evaristo Sá/AFP

MARCELO TOLEDO
FOLHAPRESS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quarta-feira (25) a ausência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no evento de lançamento da fábrica de trens da chinesa CRRC em Araraquara (a 273 km de São Paulo).

Ao lado de ministros de sua gestão e de representantes da fabricante chinesa, o presidente disse, sem citar o nome do governador, lamentar que Tarcísio não tenha ido ao evento, afirmando que o chefe do governo paulista poderia falar o que quisesse no evento, considerado relevante por estar ligado à fabricação de trens para o metrô de São Paulo.

A CRRC é a maior fabricante de suprimentos ferroviários do mundo e, além da fábrica apresentada nesta quarta no interior do estado, está presente em projetos metroferroviários em São Paulo. Venceu uma concorrência bilionária do Metrô de São Paulo e está no consórcio do TIC (Trem Intercidades), que ligará a capital a Campinas com um trem de média velocidade.

“Lamento profundamente que o governador não esteja aqui. Lamento. Ele poderia falar o que ele quisesse. Agradecer ou não agradecer, porque é um investimento de quase R$ 7 bilhões para São Paulo, para gerar empregos, para trazer tecnologia, para trazer modernidade inclusive para atender os trens de São Paulo”, disse o presidente.

Lula afirmou também que as obras que estão sendo feitas em São Paulo têm recursos do governo federal, mas que o governo estadual não reconhece publicamente.

“O tal do túnel de Santos, metade é do governo federal, e eu faço isso com gosto, porque eu morei em Vicente de Carvalho, ali, divisa com Guarujá. É muita, muita desgraça, é muita palafita e muito trânsito.

Então aquele túnel o governo federal tem obrigação de colocar dinheiro, nós não estamos fazendo favor, é obrigação do governo federal. Eu só queria que o governo estadual reconhecesse ‘olha, isso aqui não é só meu, é metade meu e metade do Lula’. Além de o Lula dar metade, a metade dele somos nós que damos também, porque nós financiamos”, disse.

O governo Lula enviou em cima da hora o convite para um representante da gestão estadual participar do evento, conforme o Painel publicou nesta quarta.

O presidente disse ainda que, depois de a verdade ser dita, poderá ser criticado. “Depois que disser a verdade, pode me esculhambar […] O que não dá é para esse país [ser] construído na base da mentira.”
No local, serão construídos pela empresa os trens do metrô da capital, com previsão de entrega a partir do ano que vem.

No evento, foram assinados contratos de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com o governo paulista que somam R$ 5,6 bilhões. Do total, R$ 3,2 bilhões terão como destino o Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas e os outros R$ 2,4 bilhões serão usados na expansão da Linha 2 do metrô da capital.

Também sem citar o nome de Jair Bolsonaro (PL), Lula criticou o ex-presidente pelo que chamou de acusações feitas durante a campanha eleitoral envolvendo o BNDES, que está financiando os projetos ferroviários.

“Não sei se vocês lembram daquela coisa que governou o Brasil. Aquela coisa que governou o Brasil [dizia]: ‘Eu vou abrir a caixa-preta do BNDES, porque vou ver a caixa-preta, porque vou pegar a caixa-preta do BNDES’. Falou durante um ano inteiro, levantando suspeita de que tinha corrupção no BNDES.

Porém, ele ganhou as eleições, tomou posse, as pessoas que trabalhavam com ele, que entendiam, falaram ‘oh, cara, para de falar bobagem’ […] O que eles queriam, na verdade, era destruir a capacidade de investimento do BNDES”, disse o petista.

Antes de concluir sua fala de cerca de 20 minutos, o presidente disse que neste ano de eleições a “verdade vai ter de derrotar a mentira”. “Essa é a disputa deste ano. Não é Corinthians e Palmeiras, não é São Paulo e Santos, não é China e Estados Unidos, este ano a disputa é entre a verdade e mentira. Quem fez e quem não fez.”

Além da participação no evento na fábrica de trens em Araraquara, Lula terá duas agendas na tarde desta quarta em São Carlos (a 232 km de São Paulo).

Primeiro, ele participará da inauguração de novas áreas do Hospital Universitário da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e, depois, visitará o centro de manutenção de aeronaves da Latam.

Durante a manhã, Lula já tinha participado em Gavião Peixoto da apresentação oficial do primeiro caça supersônico produzido no Brasil, o modelo Saab Gripen E, quase três anos após a inauguração de sua linha de produção conjunta entre a fabricante sueca e sua parceira local, a Embraer.

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