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Política & Poder

Lula cobra pressão de cientistas contra ‘orçamento apertado’ e pede projeto convincente

A declaração foi feita somente para pesquisadores da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso Científico), na sede da instituição, na Vila Buarque, região central da capital paulista.

Redação Jornal de Brasília

24/07/2026 19h30

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Foto: Ricardo Stuckert / PR

JULIANA ARREGUY E JOÃO PEDRO ABDO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O presidente Lula (PT) cobrou na tarde desta sexta-feira (24) que cientistas façam pressão para aumentar os investimentos do próprio governo federal em pesquisa e educação.


“Não espere que eu faça sozinho a coisa que tem que ser feita. Mesmo que eu soubesse, mesmo que eu fosse um cientista famoso […] se não houvesse a pressão, a gente não faz”, disse. Segundo o petista, o orçamento é “muito apertado” e não permite que se faça “tudo o que tem que fazer”.

A declaração foi feita somente para pesquisadores da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso Científico), na sede da instituição, na Vila Buarque, região central da capital paulista.


Fundada em 1948, a associação reúne cientistas de diversas áreas na defesa do desenvolvimento da pesquisa e do ensino no país.

Assim como no evento do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano (SP), na semana passada, a Presidência impediu, de última hora, a presença da imprensa no local onde Lula discursaria. Durante a fala do presidente, feita a portas fechadas, foi permitida apenas a entrada de fotógrafos e cinegrafistas.


Aos pesquisadores, Lula pediu que apresentem um “projeto de ciência convincente”. O presidente afirmou que as propostas dos cientistas devem convencer não apenas seus pares, mas a sociedade, e demonstrou insatisfação com a maneira como a política orçamentária prioriza despesas.

“Quando você fala em pesquisa, dizem ‘Pesquisar o quê, porra? Ficar estudando quatro, cinco anos, gastando o nosso dinheiro e não vai dar resultado’. É assim que muita gente pensa. Então, nós temos que ter teimosia para defender o que é correto neste país.”


Segundo o petista, “ninguém fala que pagar 1 trilhão de juros da dívida é gasto”.


O presidente lembrou do que chamou de sua “primeira grande briga”, durante o mandato de 2003 a 2006, para que despesas com educação não fossem considerados gastos, mas investimentos. Para ele, é necessário ter “determinação de brigar por alguma coisa” durante a construção do Orçamento da União.


Lula tem feito acenos aos pesquisadores em eventos voltados para ciência e educação desde o início do atual mandato. Um levantamento feito em 2024 mostra que, desde 2021, o Brasil tem reduzido a quantidade de divulgações científicas, sendo o 13° em um ranking mundial de publicações.


No ano passado, a SBPC já havia alertado que 16 das 17 unidades de pesquisa ligadas ao MCTI (Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação) poderiam fechar as portas por falta de recursos. Isso inclui ações como o monitoramento de desastres climáticos.


O financiamento de pesquisas ocorre por meio de diversas instituições ligadas ao governo federal, mesmo que indiretamente, como a Capes, que é vinculada ao Ministério da Educação, e o CNPq, que fica sob o guarda-chuva do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.


Os ministros de ambas as pastas, Leonardo Barchini (Educação) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), acompanharam Lula na agenda da SBPC.


Em janeiro deste ano, o governo federal liberou quase R$ 1 bilhão para recompor o orçamento de universidades e institutos federais que congressistas haviam reduzido durante a votação da LOA (Lei Orçamentária Anual).


O presidente também fez elogios a Getúlio Vargas, ex-presidente e ditador que governou o Brasil em duas ocasiões entre as décadas de 1930 e 1950. Para Lula, ele foi responsável por “romper com uma tradição conservadora em que as pessoas de nível mais baixo não eram levadas em conta”.


A criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) durante o governo de Getúlio também foi enaltecida pelo petista.


Na sequência, Lula comemorou os resultados da política de cotas no ensino superior e citou a USP como exemplo. “A USP era uma universidade, vamos ser francos, de brancos, de gente de classe média. Não era universidade para pobre estudar. E graças a Deus, houve essa evolução e, até hoje tem, gente que não acredita, que tem raiva das cotas.”

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