O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, neste domingo (22 de março de 2026), durante a Sessão de Alto Nível da COP15 da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), em Campo Grande (MS), a criação de uma nova unidade de conservação no Cerrado e a ampliação de áreas protegidas no Pantanal. Ao todo, as medidas representam um acréscimo de mais de 174 mil hectares sob proteção ambiental, reforçando a biodiversidade, a conectividade ecológica e os modos de vida das comunidades tradicionais.
No Pantanal, no Mato Grosso, foram ampliadas o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e a Estação Ecológica do Taiamã. O parque, criado em 1981, teve sua área aumentada em 47,2 mil hectares, passando de 135,9 mil para 183,1 mil hectares. A estação ecológica, também de 1981, ganhou 57 mil hectares, totalizando 68,5 mil hectares. Essas ampliações somam 104,2 mil hectares adicionais e elevam o percentual de áreas protegidas no bioma de 4,7% para 5,4%.
A Estação Ecológica do Taiamã, localizada em Cáceres, abriga uma ilha fluvial no Rio Paraguai com campos inundáveis e diversos ambientes aquáticos, essenciais para a fauna ictiológica, avifauna e espécies como onças-pintadas. Pesquisas da Universidade do Estado de Mato Grosso destacam que a expansão protege populações de onças e berçários de peixes, além de contribuir para o sequestro de carbono e regulação climática.
O Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, em Poconé, protege espécies ameaçadas como onça-pintada, ariranha, tatu-canastra e cervo-do-pantanal. A unidade, de alta inundação, integra rotas migratórias continentais e se conecta com áreas na Bolívia.
No Cerrado, em Minas Gerais, foi criada a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, com 69,9 mil hectares nos municípios de Riacho dos Machados, Rio Pardo de Minas e Serranópolis de Minas. A reserva protege nascentes, áreas de extrativismo e comunidades tradicionais geraizeiras, conectando-se a outros parques estaduais e reconhecendo direitos territoriais desde o século XIX.
A gestão das unidades é do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A ministra Marina Silva enfatizou que as medidas foram baseadas em evidências técnicas e participação comunitária, reforçando a proteção contra mudanças climáticas e promovendo justiça social.
O anúncio ocorreu no contexto da COP15, programada para 23 a 29 de março de 2026 em Campo Grande, que prioriza a conectividade ecológica para espécies migratórias. Na sessão, foi adotada a Declaração do Pantanal, assinada por Brasil e Paraguai, com participação do presidente Santiago Peña, reafirmando a cooperação internacional contra perda de habitats e mudanças climáticas.
Lula destacou a importância da migração natural e a necessidade de ação coletiva, elencando prioridades como diálogo com outras convenções ambientais, mobilização de recursos e universalização da CMS. Ele também mencionou avanços brasileiros, como a redução do desmatamento na Amazônia e das queimadas no Pantanal.
O presidente do ICMBio, Mauro Pires, afirmou que as ações fortalecem a proteção de biomas ameaçados e valorizam comunidades, ampliando responsabilidades institucionais. As medidas beneficiam a economia regional via pesca, turismo e ICMS ecológico, além de prevenir incêndios e preservar serviços ecossistêmicos.