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Política & Poder

Lula anuncia criação e ampliação de áreas protegidas no Pantanal e Cerrado

Medidas adicionam mais de 174 mil hectares de proteção durante sessão pré-COP15 em Campo Grande.

Redação Jornal de Brasília

23/03/2026 19h08

lula

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, neste domingo (22 de março de 2026), durante a Sessão de Alto Nível da COP15 da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), em Campo Grande (MS), a criação de uma nova unidade de conservação no Cerrado e a ampliação de áreas protegidas no Pantanal. Ao todo, as medidas representam um acréscimo de mais de 174 mil hectares sob proteção ambiental, reforçando a biodiversidade, a conectividade ecológica e os modos de vida das comunidades tradicionais.

No Pantanal, no Mato Grosso, foram ampliadas o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e a Estação Ecológica do Taiamã. O parque, criado em 1981, teve sua área aumentada em 47,2 mil hectares, passando de 135,9 mil para 183,1 mil hectares. A estação ecológica, também de 1981, ganhou 57 mil hectares, totalizando 68,5 mil hectares. Essas ampliações somam 104,2 mil hectares adicionais e elevam o percentual de áreas protegidas no bioma de 4,7% para 5,4%.

A Estação Ecológica do Taiamã, localizada em Cáceres, abriga uma ilha fluvial no Rio Paraguai com campos inundáveis e diversos ambientes aquáticos, essenciais para a fauna ictiológica, avifauna e espécies como onças-pintadas. Pesquisas da Universidade do Estado de Mato Grosso destacam que a expansão protege populações de onças e berçários de peixes, além de contribuir para o sequestro de carbono e regulação climática.

O Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, em Poconé, protege espécies ameaçadas como onça-pintada, ariranha, tatu-canastra e cervo-do-pantanal. A unidade, de alta inundação, integra rotas migratórias continentais e se conecta com áreas na Bolívia.

No Cerrado, em Minas Gerais, foi criada a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, com 69,9 mil hectares nos municípios de Riacho dos Machados, Rio Pardo de Minas e Serranópolis de Minas. A reserva protege nascentes, áreas de extrativismo e comunidades tradicionais geraizeiras, conectando-se a outros parques estaduais e reconhecendo direitos territoriais desde o século XIX.

A gestão das unidades é do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A ministra Marina Silva enfatizou que as medidas foram baseadas em evidências técnicas e participação comunitária, reforçando a proteção contra mudanças climáticas e promovendo justiça social.

O anúncio ocorreu no contexto da COP15, programada para 23 a 29 de março de 2026 em Campo Grande, que prioriza a conectividade ecológica para espécies migratórias. Na sessão, foi adotada a Declaração do Pantanal, assinada por Brasil e Paraguai, com participação do presidente Santiago Peña, reafirmando a cooperação internacional contra perda de habitats e mudanças climáticas.

Lula destacou a importância da migração natural e a necessidade de ação coletiva, elencando prioridades como diálogo com outras convenções ambientais, mobilização de recursos e universalização da CMS. Ele também mencionou avanços brasileiros, como a redução do desmatamento na Amazônia e das queimadas no Pantanal.

O presidente do ICMBio, Mauro Pires, afirmou que as ações fortalecem a proteção de biomas ameaçados e valorizam comunidades, ampliando responsabilidades institucionais. As medidas beneficiam a economia regional via pesca, turismo e ICMS ecológico, além de prevenir incêndios e preservar serviços ecossistêmicos.

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