Menu
Política & Poder

Líder nas pesquisas, Frejat deixa a campanha e os seus diabos

Arquivo Geral

25/07/2018 7h00

Atualizada 24/07/2018 21h54

Foto: João Stangherlin/Jornal de Brasília.

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

“Não é nenhum diabo específico. Isso aí é uma frase genérica, que você mostra que não vai se entregar para fazer coisas erradas ou para apoiar aquilo que você não acha conveniente”, explicou Jofran Frejat (PR), poucas horas após bater o martelo definitivamente pela saída da corrida eleitoral pelo Palácio do Buriti. Alegando que não venderia a alma ao diabo, Frejat deixa a corrida afirmando que não transformaria um eventual governo em balcão de negócios. Segundo o ainda líder isolado das pesquisas, a toalha foi jogada por causa da desunião de aliados diretos e indiretos. Fora de cena, e sem planos para tentar as outras urnas por outro cargo, o ex-secretário de Saúde espera que o gesto seja capaz de gerar uma união de forças.

Por que o senhor desistiu?
Nós tínhamos uma união. Um grupo de políticos de Brasília, que tinha feito o compromisso de que aquele que melhor estivesse nas pesquisas teria o apoio dos demais. No momento em que o meu nome foi impulsionado, o grupo começou a se dividir. Começou a aparecer uma “Segunda Via”, “Terceira Via”, “Quarta Via”… Apareceu até um “Papel Carbono” se repetindo no tempo. Estou mostrando o meu desprendimento. Eu não estou preocupado comigo. Seria vaidade ser eleito governador? Ganhar a eleição? E ficar dividindo o grupo todo, um para um lado outro para outro? Então eu achei, realmente, que nós tínhamos que tomar uma posição. Para mostrar que Brasília é mais importante do que nós todos. O objetivo é Brasília. Não é ser eu eleito ou outro ser eleito. Isso aí é secundário. Todos nós passamos, Brasília fica.

Apoiará alguém?
Olha eu não como é que vai haver a composição. Não tenho dificuldade de apoiar quem seja um bom candidato e que pense em Brasília. Agora não posso ficar estimulando esse tipo de fratura política, de dissenso político, que não leva a coisa nenhuma. Só quem perde é Brasília. Por essa razão é que acho que, se houver alguém com condições e as pessoas do meu partido quiserem que eu apoie, terei o maior prazer em apoiar. Da coligação e etc também. Mas, eu não vou, com certeza, vinculado, especificamente, ao meu nome. Seria um egoísmo muito grande. Só eu que seria o bom? Evidentemente que não.

Quem é o diabo?
Não tem especificamente. Isso é uma frase clássica. “Não vou vender minha alma ao diabo”. Isso quer dizer: “Eu não vou me entregar”; “Não vou fazer aquilo que o meu coração não esteja pedindo”; “Não vou fazer aquilo que não seja absolutamente correto”; “Não vou fazer balcão de negócio”. Sempre disse isso, desde quando era secretário de Saúde, deputado. O que é meu, eu faço que bem entendo. O que é do povo eu administro e não posso fazer divisão, não posso negociar. Entregar cargo tal? Esse tipo de coisa eu não faço.

Havia uma pressão por espaços? O senhor lutava contra?
Sempre tem pressão. Em qualquer meio político sempre há pressão por posicionamentos, etc.

A família pesou? O PR não deu carta branca?
Esse é outro elemento. A própria família viu o desgaste que estava tendo. Corre para cá, corre para lá. Conversa com um, conversa com outro. Tem resposta positiva, resposta negativa. De fato, não posso reclamar. O partido me deu toda liberdade. Mas não é só uma questão partidária. Você tem toda uma coligação para trabalhar em cima. Naturalmente conversei longamente com a minha família. Eles viram a luta que foi. E disseram: “Vale a pena tudo isso?”.

Pode tentar outro cargo?
Não. Já me ofereceram isso. Disseram: “Então vem para o Senado”. Não é o meu objetivo. Eu já fui cinco vezes deputado federal. Meu objetivo não é esse. Não estou buscando cargo. Podia ajudar em alguma coisa. Mas não é o meu objetivo. O meu objetivo era fazer alguma coisa no governo de Brasília. Fazer alguma coisa que já estava no meu trabalho, que já estava inclusive no meu plano de governo, que já estava praticamente pronto. A posição que tenho hoje é de não me candidatar a nada.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado