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Política & Poder

Líder do PT na CLDF diz que é difícil "digerir" grande adesão às manifestações

Arquivo Geral

15/03/2016 6h30

Millena Lopes

millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br

“Não é fácil digerir”. É o que diz o líder do PT na Câmara Legislativa, deputado Wasny de Roure, sobre as manifestações que levaram milhões de brasileiros às ruas – no DF, foram 100 mil, segundo a Polícia Militar. O partido planeja um evento na sexta-feira para mobilizar a militância para uma grande manifestação no dia 31 de março, data em que foi deflagrado o golpe militar foi deflagrado contra o governo de João Goulart, 52 anos atrás.

O fato de um  número tão grande de brasileiros insatisfeitos terem ido às é motivo para que o PT faça uma autocrítica, pondera o líder do partido na Câmara. “As organizações têm problemas, mas é preciso entender que nem os problemas nem quem os causou não podem se tornar referencial”, afirma o distrital.

“A gente tem que entender que a crise está associada a ingredientes que a gente sempre lutou: a corrupção,  o quadro econômico do País associado ao aumento do desemprego, e o cenário político desalentador”, lembra Wasny, citando que  foi nos governos petistas que o Ministério Público e a Polícia Federal ganharam mais autonomia. Trata-se de um legado, segundo ele, que vai custar muito caro ao partido.

Exageros

Para ele, também há exagero dos órgãos judiciários em alguns cenários. “Principalmente nas questões que dizem respeito ao ex-presidente Lula”, argumenta, contemporizando que é preciso reconhecer a relevância dessas instituições para a sociedade e para a democracia.

“Espero que o Ministério Público, o Judiciário e a Polícia Federal façam como todos aqueles que cometeram equívocos paguem. E não se limitem ao PT. Acho que não  podem ser complacentes, porque a sociedade, naturalmente, vai cobrar”, argumentou o petista.

A militância do partido, acredita Wasny, deve atender ao chamado para as manifestações marcadas para quinta-feira e, posteriormente, para o dia 31 de março. “Eu tenho até me surpreendido com os militantes. Sexta-feira, fui à feira de Sobradinho e ouvi um senhor dizer que não vai sair (da sigla), que vai lutar pelo partido. Não se pode ignorar a contribuição do PT para a sociedade”, observou.

Diretório insiste em tentativa de “golpe”

O presidente do PT-DF, ex-deputado federal Roberto Policarpo, acredita que o número divulgado pela PM relacionado às manifestações no País “foi inflacionado”. Sem querer entrar “na discussão dos números”, ele diz que o partido está focado em se preparar para um ato na próxima sexta-feira, em todos os estados.

As atividades, conforme ele explica, serão em preparação para uma concentração maior marcada para o dia 31. A grande adesão ao ato de domingo não muda nada, segundo Policarpo. Ele minimiza a força das manifestações, pontuando que as pautas dos participantes eram diversificadas. “Nem todo mundo defendia o impeachment”, argumentou ele.

As críticas não se limitaram ao PT, na visão do presidente do partido e os manifestantes apresentaram uma agenda mais ampla. “Criticaram Eduardo Cunha (presidente da Câmara dos Deputados) e Renan Calheiros (presidente do Senado); o PSDB chamou a manifestação e o Aécio Neves saiu expulso, assim como a senadora Marta Suplicy, que agora está no PMDB. Eles saíram de lá corridos” , citou Policarpo. 

Mobilização

A insatisfação com o governo, o presidente do PT-DF reconhece, é “muito grande”. “Mas não queremos que aproveitem a insatisfação para dar um golpe no País. Os conservadores defendem até uma intervenção militar. Não podemos concordar com isso”, pondera.

Em Brasília, a Frente Brasil Popular  se reúne na sexta-feira, a partir das 17h, no  Museu da República, para um “ato em defesa da democracia, contra o golpe e os retrocessos sociais”, diz a convocação”.

Eles organizavam movimento  semelhante no domingo, na Torre de TV, mas foram aconselhados pelo governador Rollemberg para que recuassem. A preocupação era de que houvesse enfrentamento.

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