Millena Lopes
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“Não é fácil digerir”. É o que diz o líder do PT na Câmara Legislativa, deputado Wasny de Roure, sobre as manifestações que levaram milhões de brasileiros às ruas – no DF, foram 100 mil, segundo a Polícia Militar. O partido planeja um evento na sexta-feira para mobilizar a militância para uma grande manifestação no dia 31 de março, data em que foi deflagrado o golpe militar foi deflagrado contra o governo de João Goulart, 52 anos atrás.
O fato de um número tão grande de brasileiros insatisfeitos terem ido às é motivo para que o PT faça uma autocrítica, pondera o líder do partido na Câmara. “As organizações têm problemas, mas é preciso entender que nem os problemas nem quem os causou não podem se tornar referencial”, afirma o distrital.
“A gente tem que entender que a crise está associada a ingredientes que a gente sempre lutou: a corrupção, o quadro econômico do País associado ao aumento do desemprego, e o cenário político desalentador”, lembra Wasny, citando que foi nos governos petistas que o Ministério Público e a Polícia Federal ganharam mais autonomia. Trata-se de um legado, segundo ele, que vai custar muito caro ao partido.
Exageros
Para ele, também há exagero dos órgãos judiciários em alguns cenários. “Principalmente nas questões que dizem respeito ao ex-presidente Lula”, argumenta, contemporizando que é preciso reconhecer a relevância dessas instituições para a sociedade e para a democracia.
“Espero que o Ministério Público, o Judiciário e a Polícia Federal façam como todos aqueles que cometeram equívocos paguem. E não se limitem ao PT. Acho que não podem ser complacentes, porque a sociedade, naturalmente, vai cobrar”, argumentou o petista.
A militância do partido, acredita Wasny, deve atender ao chamado para as manifestações marcadas para quinta-feira e, posteriormente, para o dia 31 de março. “Eu tenho até me surpreendido com os militantes. Sexta-feira, fui à feira de Sobradinho e ouvi um senhor dizer que não vai sair (da sigla), que vai lutar pelo partido. Não se pode ignorar a contribuição do PT para a sociedade”, observou.
Diretório insiste em tentativa de “golpe”
O presidente do PT-DF, ex-deputado federal Roberto Policarpo, acredita que o número divulgado pela PM relacionado às manifestações no País “foi inflacionado”. Sem querer entrar “na discussão dos números”, ele diz que o partido está focado em se preparar para um ato na próxima sexta-feira, em todos os estados.
As atividades, conforme ele explica, serão em preparação para uma concentração maior marcada para o dia 31. A grande adesão ao ato de domingo não muda nada, segundo Policarpo. Ele minimiza a força das manifestações, pontuando que as pautas dos participantes eram diversificadas. “Nem todo mundo defendia o impeachment”, argumentou ele.
As críticas não se limitaram ao PT, na visão do presidente do partido e os manifestantes apresentaram uma agenda mais ampla. “Criticaram Eduardo Cunha (presidente da Câmara dos Deputados) e Renan Calheiros (presidente do Senado); o PSDB chamou a manifestação e o Aécio Neves saiu expulso, assim como a senadora Marta Suplicy, que agora está no PMDB. Eles saíram de lá corridos” , citou Policarpo.
Mobilização
A insatisfação com o governo, o presidente do PT-DF reconhece, é “muito grande”. “Mas não queremos que aproveitem a insatisfação para dar um golpe no País. Os conservadores defendem até uma intervenção militar. Não podemos concordar com isso”, pondera.
Em Brasília, a Frente Brasil Popular se reúne na sexta-feira, a partir das 17h, no Museu da República, para um “ato em defesa da democracia, contra o golpe e os retrocessos sociais”, diz a convocação”.
Eles organizavam movimento semelhante no domingo, na Torre de TV, mas foram aconselhados pelo governador Rollemberg para que recuassem. A preocupação era de que houvesse enfrentamento.