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Política & Poder

Kofi Annan pede que Brasil assuma responsabilidades como novo líder mundial

Arquivo Geral

23/11/2009 0h00


O ex-secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, afirmou hoje que o Brasil assumiu um importante papel no cenário internacional, mas que deve, por isso, assumir as responsabilidades desse posto, como exercer liderança regional e aumentar sua ajuda a países mais pobres.

“O Brasil está crescendo rapidamente e já se tornou uma força propulsora para toda a região. É óbvio que já não é, como se costumava dizer, o país do futuro. Esse futuro já chegou”, afirmou Annan em uma conferência no Rio de Janeiro.

Segundo o diplomata ganês, “essa maior importância vem acompanhada de muitas responsabilidades, como a de buscar a melhor forma de exercer uma liderança regional e se transformar em um melhor porta-voz dos países em desenvolvimento”.

“O Brasil tem grande responsabilidade como novo líder mundial e, se as assumir, trará benefícios para todos”, disse.

O ex-presidente da ONU afirmou também que o Brasil ajuda outros países pobres, principalmente latino-americanos, com projetos de cooperação em áreas como a agrícola, a de biocombustíveis e a energética, mas que ele gostaria de vê-lo não só “amplificando a voz dos países de Ásia, África e América Latina, mas também ajudando-os a superar a pobreza”.

Entre os motivos que demonstram a vitalidade do Brasil em nível internacional, Annan citou o papel do país como líder das nações emergentes no G20, seu comércio crescente, seu papel de interlocutor em diferentes debates internacionais e até a eleição do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Ele acrescentou ainda que, após ter retirado 30 milhões de pessoas da pobreza, o Brasil é um dos poucos países em condições de cumprir os Objetivos do Milênio da ONU.

Segundo o diplomata, a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de criar um fundo social com os recursos que serão obtidos com as reservas de petróleo descobertas no oceano Atlântico ajudarão o país a superar seus problemas sociais.

Entre as responsabilidades do Brasil como novo líder mundial, Annan destacou a de exercer um papel de liderança nas negociações para garantir a segurança alimentar e para frear a mudança climática no planeta.

O ex-secretário-geral defendeu a possibilidade do Brasil ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, e disse que foi partidário da reforma que permitiria essa inclusão, mas disse que alguns países, especialmente os que já têm esse privilégio, não estavam preparados para as mudanças.

Ele afirmou também que embora o Conselho de Segurança inclua como membros permanentes países que têm grande poderio militar, o Brasil não necessariamente deveria se transformar em uma potência nesta área para ingressar no grupo.

“Acredito que o Brasil pode e deve ter um papel importante sem precisar se militarizar. Atualmente há muitos países sem poderio nuclear ou que renunciaram a essa condição e têm grande influência mundial”, afirmou.

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