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Política & Poder

Kassio censurou canal de WhatsApp de Janones sem documentos mostrando presença de fake news

No entanto, 40 minutos após Cueva pedir esclarecimentos, a campanha de Flávio encaminhou pedido a Kassio, e juntou alguns documentos

Redação Jornal de Brasília

12/10/2026 15h29

kassio nunes

Ministro Kassio Nunes, presidente do TSE. Foto: Gustavo Moreno/STF

PATRÍCIA CAMPOS MELLO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, mandou censurar o canal de WhatsApp do deputado André Janones, o Exército do Lula, sem ter indícios ou documentos de que as fake news apontadas na ação da campanha de Flávio Bolsonaro circulavam no canal. Na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada pela campanha de Flávio, os advogados apontavam conteúdo com informação que já havia sido julgada desinformativa e proibida pelo TSE em decisões relativas a propaganda, proferidas pelos juízes Kassio Nunes Marques e André Mendonça. A ação afirmava que conteúdos com fake news sobre Nossa Senhora, ligação de Flávio com milícias e lavagem de dinheiro na Kopenhagen, e cortes no INSS circulavam no canal.


No entanto, o jurídico de Flávio não anexou nenhum documento relativo a isso, sejam atas notariais ou registros digitais mostrando o conteúdo encontrado no canal. A falta de documentos levou o relator da ação, o corregedor-geral eleitoral Ricardo Cueva, a pedir mais esclarecimentos para a campanha e documentos mostrando a circulação do conteúdo no canal.

No entanto, 40 minutos após Cueva pedir esclarecimentos, a campanha de Flávio encaminhou pedido a Kassio, e juntou alguns documentos.


Nos anexos, juntaram uma página listando uma série de vídeos que Janones havia postado em seu perfil do Instagram, alguns dos quais versavam sobre temas já julgados e proibidos pelo TSE, e que tinham sido derrubados pela Meta. Mas não havia nenhum anexo mostrando que esse conteúdo ou vídeos tinham sido encontrados no canal de Janones no WhatsApp. Ainda assim, Kassio mandou derrubar o canal.
A censura foi revertida por Cueva poucas horas depois e o canal voltou a funcionar.


No domingo (11), Kássio determinou que a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE investigasse o conteúdo publicado no canal de “Exército do Lula”.


Nesta segunda-feira (12), a assessoria de enfrentamento à desinformação do TSE, área técnica do tribunal, divulgou um relatório, que foi anexado à AIJE, afirmando não ter encontrado nenhum dos conteúdos alegados na ação de Flávio no canal de Janones. “Quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos”, diz o relatório assinado por Frederico Franco Alvim, Assessor Especial de Enfrentamento à Desinformação.


O relatório faz a ressalva de que conteúdos podem ter sido apagados.


A campanha de Flávio, no entanto, nunca apresentou provas documentais da presença dos conteúdos no canal de WhatsApp.


Procurada, a advogada da campanha de Flávio, Maria Claudia Bucchianneri, e a assessoria de imprensa do candidato não responderam a pedidos de esclarecimentos da reportagem até a conclusão desta reportagem.


O avanço do canal de Janones, que chegou rapidamente a 3 milhões de usuários, tornou-se uma das apostas da campanha de Lula para mobilizar a tropa digital, área em que a direita costuma ter protagonismo.


Durante ato da esquerda na Paulista no domingo, Lula criticou a decisão de Kassio, que considerou “absurda”, e disse estar “desconfiado do comportamento da corte eleitoral”.


Ministros de uma ala do TSE disseram extraoficialmente neste domingo (11) haver indícios de engajamento de Kassio na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Especialistas em direito eleitoral consultados pela reportagem também questionaram a postura do magistrado.

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