São Paulo, 12 – O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, proibiu na sexta-feira, 9, a distribuição do jornal “Petróleo dos Brasileiros”, produzido pelo Sindipetro Unificado, de São Paulo, e apoiado pela Federação Única dos Petroleiros (Fup), informou a federação que reúne os petroleiros de todo o País.
O pedido foi iniciativa da campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, que pediu tutela de urgência, disse a Fup. O descumprimento pode resultar em multa diária de R$ 10 mil para o sindicato, além de outras medidas judiciais.
Nunes Marques ordenou a interrupção da distribuição dos exemplares impressos, a retirada do arquivo do site e o encerramento da divulgação nos canais digitais, informou a entidade sindical.
“A medida representa um grave ataque à liberdade de expressão e ao direito de informar a população. É dever dos sindicatos fornecer informações fidedignas a seus filiados, a fim de que possam conhecer projetos, comparar propostas e decidir pelo melhor para o País e para os brasileiros”, disse em nota a coordenadora-geral da Fup, Cibele Vieira.
O alvo da decisão do TSE foi a edição especial de setembro do jornal sindical, intitulada “Eleição 2026: o que cada projeto defende para o Brasil?”. “A edição cumpre o seu papel de apresentar aos brasileiros o que cada projeto político defende para o futuro da Petrobras. Mas, em vez de discutir publicamente as propostas para uma das empresas mais estratégicas do País, o sindicato agora precisa cumprir determinações judiciais que impedem a circulação desse conteúdo”, afirmou Cibele.
O jornal, segundo a Fup, divulgava as medidas adotadas durante a gestão do pai do candidato, Jair Bolsonaro (2019-2022), também do PL, relacionadas a Petrobras e aos trabalhadores. “Fatos já amplamente noticiados na ocasião”, destacou a entidade sindical
Durante a gestão de Bolsonaro na Petrobras, três refinarias foram privatizadas, além da Clara Camarão, no Rio Grande do Norte, vendida junto com campos maduros do Estado. Também foram vendidas as transportadoras de gás natural TAG e NTS, além da BR Distribuidora, que retirou a estatal do setor de distribuição de combustíveis, entre outros ativos alienados.
Estadão Conteúdo