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Política & Poder

Justiça de SP envia a Toffoli ação contra Tanure por suspeita de conexão com caso Master

O caso foi distribuído ao ministro Dias Toffoli por suposta conexão com o inquérito sobre suspeitas em relação ao Banco Master, no qual ele também é investigado

Redação Jornal de Brasília

20/01/2026 13h59

Foto: Carlos Moura/SCO/STF.

JOSÉ MARQUES
FOLHAPRESS

A Justiça Federal de São Paulo enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma investigação sobre suspeitas de que o empresário Nelson Tanure usou informação privilegiada na negociação de ações da Gafisa, da qual é acionista de referência.

O caso foi distribuído ao ministro Dias Toffoli por suposta conexão com o inquérito sobre suspeitas em relação ao Banco Master, no qual ele também é investigado.

A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pela reportagem. A investigação tramita sob sigilo.

No mês passado, o Ministério Público Federal denunciou Tanure sob acusação de utilizar informações sigilosas dentro da construtora Gafisa. O caso também é investigação na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Procurado, o advogado de Tanure, Pablo Neves Testoni, afirma que não pode fazer considerações concretas sobre o andamento do processo, que tramita em sigilo.

No entanto, ele afirmou que “como já noticiado pela imprensa, o MPF, na ocasião em que ofereceu a denúncia, citou o Banco Master, e ao fazer isso, por obrigação processual, abriu a necessidade de resolução sobre eventual conexão probatória”.

“Esta circunstância processual, portanto, precisa agora ser enfrentada, por obrigação legal”, disse o advogado.

De acordo com o Ministério Público, Tanure e o empresário Gilberto Benevides praticaram insider trading na operação de aquisição da incorporadora Upcon pela Gafisa, ocorrida entre 2019 e 2020.

Segundo a denúncia, eles teriam feito uma série de movimentações financeiras para inflar o valor de mercado da Upcon e, consequentemente, receber mais ações com poder de voto da construtora na operação de compra e venda.

Em nota, a defesa de Tanure disse que o empresário tem décadas de experiência profissional no mercado de valores mobiliários e jamais havia sido acusado de práticas delitivas nas empresas que é ou foi acionista. Segundo o advogado do empresário, Tanure “lastima a açodada denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal e tem certeza de que os fatos serão esclarecidos no bojo do processo”.

Tanure foi alvo de buscas pela Polícia Federal na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta-feira (14), que apura irregularidades relacionadas ao Master.

O empresário é um investidor de inúmeras empresas brasileiras, como a petroleira Prio, a rede de supermercados Dia e a incorporadora Gafisa. A apuração policial investiga suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.

Na ocasião, Toffoli também determinou o bloqueio de bens do empresário. O ministro citou uma manifestação da PGR que menciona Tanure, dizendo que a PF apontou indícios de que ele é “sócio oculto do Banco Master, exercendo influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas, razão pela qual o bloqueio do seu patrimônio deve ocorrer”. A decisão não traz o valor do bloqueio solicitado.

Seu advogado disse que a afirmação é equivocada. “O empresário Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure jamais estabeleceu qualquer relação de natureza societária com o Banco Master”, disse a defesa, em nota após o bloqueio.

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