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Política & Poder

Júlio César: presidir Câmara é ideia para depois

Arquivo Geral

18/11/2014 7h00

Daniel Cardozo e Eduardo Brito

redacao@jornaldebrasilia.com.br

Mesmo após seu partido tê-lo citado como candidato à presidência da Câmara Legislativa, o deputado distrital mais votado, Júlio César Ribeiro (PRB), garante não estar na disputa. Mas isso também não significa que assumir um cargo no governo de Rodrigo Rollemberg seja uma alternativa para o ex-secretário de Esporte. Integrante da futura bancada evangélica, ele não vê uma rejeição da população ao segmento. Muito pelo contrário. “Se existisse, não haveria sete deputados eleitos com voto evangélico. Não acho que é isso que está acontecendo. A população já começou a ter uma simpatia por nós”, opinou.

Como será o seu mandato na Câmara Legislativa? O esporte será prioridade?

É uma das áreas que quero dar toda a atenção, porque não posso deixar de prestigiar os eleitores da área. Como secretário do Esporte que fui, ajudei a fomentar o esporte de Brasília. Queremos abranger diversas áreas, como saúde, transporte. Mas o esporte corre nas veias.

O senhor é candidato a presidente da Câmara?

Não. Eu vejo que os 24 deputados são candidatos à presidência. Eu ainda acho que é muito cedo falar sobre quem vai ocupar a Mesa e ser presidente. Eu acredito que em dezembro é que vão começar a discutir os blocos e, aí sim, vamos ver quem terá condições de ser o presidente. Nesse momento, eu não sou candidato, não estou buscando fazer reuniões com nenhum deputado. Na verdade, alguns chamam para conversar, mas não tenho essa pretensão neste momento.

A sua eleição se deve, em maioria, ao público evangélico?

Sim. Eu não posso negar que por ser evangélico já há quase 25 anos, e pastor também, eu devo, sim, ao público evangélico uma boa votação. Mas o nosso candidato do PRB na última eleição teve mais de 15 mil votos e acredito que existe um aumento na votação evangélica. Esse número deve ter chegado a cerca de 20 mil. Mas o restante, sem dúvida alguma, se deve a aquilo que já desenvolvi na Secretaria do Esporte junto aos idosos. Vejo meu trabalho diferente. Eu não era aquele secretário que ficava preso dentro do gabinete. Sempre estava próximo das pessoas. Os centros olímpicos são uma prova disso. Sempre estava lá com a comunidade, ouvindo quais eram seus anseios. Consegui trazer muitas coisas para que fossem desenvolvidas aqui. Então é isso que quero fazer na Câmara. Ter meu gabinete aberto à comunidade. Nos dias de sessão, estar presente. Mas quero estar junto com o povo. Porque ouvindo a população você tem condições de lutar pelos seus direitos.

A bancada evangélica cresceu. Se observarmos seus integrantes isoladamente, todas as vertentes, de esquerda à direita estão presentes. É possível fazer um bloco?

Não está descartado, até porque  são vários deputados novos. Mas acho que é possível haver o diálogo não só com evangélico. Dentro de um bloco há uma afinidade até com os outros deputados que estão entrando. Mas temos que negociar, conversar, ver o que vai acontecer. 

Existe rejeição de uma parte da população a parlamentares evangélicos? Como quebrar esse estigma?

Eu discordo. Não acho que há uma rejeição. Se existisse, não haveria sete deputados eleitos com voto evangélico. Não acho que é isso que está acontecendo. A população já começou a ter uma simpatia por nós. Eu fui o mais votado. A Sandra Faraj teve 20 mil votos, o Rodrigo Delmasso, quase 22 mil. Acho que está diferente, já está mudando em Brasília. 

Como está a sua aproximação com o governo Rollemberg?

Está muito bem desde o segundo turno. No primeiro, continuamos na base do Agnelo. Já no segundo, houve um contato do presidente (do PRB, Wanderley Tavares) com o governador Rollemberg e ele entendeu que o programa apresentado estava de acordo com aquilo que o PRB acredita. Eu, particularmente, estive presente com ele em alguns eventos e acredito que o PRB vai ocupar um espaço importante neste momento.

O governador eleito prometeu o fim dos cabides de emprego e da negociação por cargos. É possível governar desse jeito, sem tantos deputados na base?

O que o Rodrigo vem falando e demonstrando é o que a população quer. Esse discurso agradou a população que o elegeu. Eu acho que neste momento que Brasília está vivendo, sem dúvida alguma, o melhor é enxugar o Estado para fazer uma política voltada à população. É claro que vai precisar da Câmara. Ela não pode ser um puxadinho do governo e temos que lutar pela independência. Não pode ser como foi na atual gestão. Acredito que ele não vai ter o mesmo número de deputados na base como teve o Agnelo. Mas é melhor ter uma Câmara independente. Se você tem todos na mesma base, fica até difícil cobrar alguma coisa do governo. Não é o fato de eu estar na base que vou aceitar tudo do governador. Tem de ver o que é melhor para a cidade.

O senhor conhece a estrutura do governo e sabe bem como funciona esse loteamento dos órgãos. É possível que se dê um basta imediatamente nisso?

Acredito que não em um primeiro momento. É muito difícil que isso venha a acabar, mas é uma ideia do governador, que também quer que a população participe da escolha dos administradores. Seria muito mais justo se isso acontecesse. Não seria fácil como em um passe de mágica, mas o ideal para que Brasília pudesse crescer.

Qual é a formula ideal para a escolha dos administradores?

Do jeito que está sendo feito, o governador vai ter muita dificuldade. Em algumas cidades, existem 30 ou 40 indicados. Eu confesso que ainda não tenho o modelo exemplar. Sou novo em Brasília. Estou analisando todos os aspectos. Mas acredito que ele vai ter muita dificuldade em escolher. Se conseguir chegar a três nomes em cada cidade, para que ele pudesse indicar, seria o ideal.

Existe possibilidade de assumir alguma secretaria no governo Rollemberg?

Não. Acho muito improvável. Fui eleito por 29.384 pessoas que acreditaram em minhas propostas. Eu acho que ir para qualquer cargo no governo soaria como uma traição. Então eu não penso, hoje, em ocupar nenhum cargo. Quero estar na Câmara, porque foi ali que a população escolheu para eu ficar.

Agora que passou a Copa do Mundo, qual seria a melhor maneira de administrar o Estádio Mané Garrincha? 

Acho que a primeira coisa que tem que ser feita é transferir o estádio para o órgão que tem a capacidade de administrar, que é a Secretaria de Esporte. Como acabou a Secretaria Extraordinária, vimos que o estádio foi transferido para a Secretaria de Turismo e, na minha concepção, o Esporte deveria cuidar do estádio. Ficou demonstrado, não só pela minha gestão, mas também pela gestão do Célio René, que o Esporte tem condições de trazer grandes eventos para a cidade. E, uma vez estando no local de origem, vai haver muitas possibilidades de fomentar e ajudar nossa cidade a crescer. Tem que haver uma parceria com a Secretaria de Turismo, para trazer shows. Mas tem que ser administrado pela Secretaria de Esporte.

O senhor participou da licitação da reforma do autódromo, que agora corre risco de não acontecer?

Na verdade, participei apenas no início. Estive nas primeiras conversas, mas logo saí para ser candidato. Sinceramente, não tenho ideia. Sei que foi firmado um compromisso para a realização da Formula Indy e algo que esse governo tem que tentar é que a suspensão seja retirada, porque vai trazer vários prejuízos. Eu sei que tem que ser feita uma reforma gigantesca lá. E, Brasília já espera que esse evento aconteça.

A reforma está orçada em algo em torno de R$ 320 milhões. Um investimento como esse tem retorno para cobrir esses gastos?

Tem que ver qual a quantidade de tempo para esse retorno. Talvez de imediato, acho que não. Assim como aconteceu com o estádio. Sem dúvida alguma, um evento como a Formula Indy vai trazer muitos turistas, fomentar a economia local. Eu defendo que devemos tentar trazer para Brasília diversos eventos. Cito o UFC. Eu estive em Goiânia, conversando com os organizadores e nós conseguimos trazer o evento em outubro, com custo praticamente zero. Na verdade, eles têm retorno na bilheteria, venda de produtos, pay per view. Acho que tem ser sem gastos grandes. Agora, claro que um investimento de R$ 300 milhões é muito grande, principalmente se olharmos a situação que Brasília está vivendo. Talvez, poderia deixar para outro momento. Mas se existe um contrato, precisamos cumprir, até porque os problemas poderiam ser maiores ainda.

Neste momento, não seria ruim para a imagem do governo o gasto com o autódromo?

Nós não temos a ciência de que existe essa dívida. Uns dizem que existe. Temos visto vários serviços sendo paralisados. Por outro lado, temos a Secretaria de Comunicação dizendo que tudo está tudo sob controle. Temos que ver quem fala a verdade. Se realmente há dívida, não seria interessante um investimento desse. Mas se estiver tudo equacionado, pode ser feito, porque é um evento sensacional para Brasília.

Qual será o primeiro projeto como deputado distrital?

Eu confesso que tenho uma série de ideias, porque estive andando em todas as regiões administrativas, inclusive agradecendo a minha votação, e conheço as dificuldade. Fui ao Pôr do Sol, Sol Nascente, Fercal e consegui ter um material das muitas necessidades de cada região administrativa. Os  técnicos estão estudando para ver o que é viável.Tenho ideias para o esporte, que precisa ter mais ferramentas, porque é uma iniciativa ótima contra as drogas. Tivemos um programa na Secretaria de Esporte que era o Compete Brasília, que passou de 200 a quase 4 mil atletas atendidos por ano. Foi um aumento gigantesco e precisamos incrementar. Além de dar passagem, também queremos custear a alimentação do atleta que vai competir fora de Brasília. Hoje temos atletas que são descobertos e precisam ir para outros estados porque não temos como amparar. Quero olhar muito para esse lado social do esporte.

Existem hoje espaços esportivos em número suficiente para atender as populações mais carentes?

Não. Tanto é que pretendo lutar pela construção de mais quadras, campos de grama sintética. Algumas regiões não têm ou, se tem, estão abandonadas. Acredito que os centros olímpicos foram um avanço, já que passamos de três para 11. Foi uma realização do governador Agnelo Queiroz que nos deu condições disso. Pudemos aumentar de 10 mil pessoas atendidas, para quase 40 mil. Acho que cada cidade tem que ter pelo menos um centro olímpico. Precisamos ter centros em Planaltina, Itapoã, Paranoá, Sol Nascente. Também não vou dizer que vamos conseguir isso em apenas quatro anos, porque não seria uma verdade. Mas se conseguirmos abrir mais oito centros olímpicos, atingiremos mais 40 mil pessoas. E uma das coisas que vou defender é que haja a unificação. Cada cidade cuida de seu estádio. Até pelo que o governador vem falando, acredito que a Secretaria de Esporte deveria ser a gestora de todos os estádios, dos grandes ginásios poliesportivos, porque será possível fazer uma licitação só para gramado, para reforma dos ginásios.

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