O ex-governador José Roberto Arruda avisa: não se retirou apenas da eleição deste ano, mas retirou-se da vida pública. Não pretende ocupar qualquer cargo público no futuro. Mas espera ver cumpridos os compromissos que assumiu na campanha. É, informa, o que abriu caminho para a indicação de seu vice, Jofran Frejat, para sucedê-lo na cabeça da chapa que estava à frente nas intenções de voto para o Buriti. E é também o sinal que procura emitir quando propôs, para a vice, sua mulher Flávia. A propósito, ela se considera preparada, sim, para ser vice, após toda a experiência adquirida desde que Arruda se elegeu governador e nos tempos que se seguiram.
O senhor se considera vítima de um golpe?
Arruda — Sem dúvida nenhuma. Um golpe em 2009, quando se interrompeu o meu governo. Hoje está tudo claro e as provas são contundentes. Está tudo no meu site. Agora, neste momento, sou vítima de uma decisão injusta. Com todo o respeito ao Judiciário, é muito estranho que tudo tenha ocorrido justamente neste caso, para atender aos interesses do PT.
Seria então uma ofensiva petista?
Arruda — É um vale-tudo na política, um vale-tudo eleitoral e só não vê quem não quer. Aqui no Distrito Federal, caso se pegue campanhas milionárias de candidatos oriundos de áreas caóticas, como no caso do ex-secretário de Saúde, Rafael Barbosa, percebe-se como se aparelhou o Estado. Isso é muito perigoso para o sistema democrático. São pessoas que trafegam nos subterrâneos do poder, que agridem a honra de pessoas, privatizando o estado da pior maneira possível, como estão fazendo no caso da Petrobras, em benefício próprio. Vivemos, portanto, um momento muito difícil, muito parecido com a Venezuela. É inexplicável, por exemplo, o processo do deputado Rôney Nemer, que chegou ao Tribunal de Justiça há seis meses e nunca foi julgado, porque ele é ligado ao Filippelli e ao Agnelo. No meu caso, foi julgado em quatro dias. É uma observação de quem se considera vitimado por uma sucessão de decisões excepcionais. Já disse, hoje mesmo, que uma confirmação de que a história se repete primeiro como tragédia, depois como farsa.
Como foi o processo de escolha da chapa que o sucederá?
Arruda — Frejat é um homem muito preparado, muito qualificado, muito experiente. É um criador de consenso, que emprestava sua credibilidade à nossa chapa. Foi portanto, um caminho natural, pois terá todas as condições de, eleito, dar continuidade a nosso programa.
E a escolha da vice?
Arruda — A presença da Flávia foi a forma que encontramos de dizer ao meu eleitor que estou alinhado com a campanha, de corpo e alma nela. Nas pesquisas que fizemos, o nome que mais obtinha transferência de votos era o da Flávia. Como o nome mais preparado para governar era o de Frejat, unimos as duas coisas.
Flávia Arruda se considera preparada para ser vice e, portanto, também governadora?
Flávia — Sinto-me preparada. Durante todo o tempo vivi de experiência ao lado dele, tanto no governo quanto pós, aprendi muita coisa, tanto do que se deve repetir, quanto do que não se deve ter nem perto. Como o candidato a governador é uma pessoa extremamente preparada, quero desempenhar meu papel de vice, em especial na área social, uma vez que, como primeira-dama, trabalhei muito nela. Vou fazer o possível para ajudar e principalmente para garantir o cumprimento de todos os compromissos que Arruda fez.
Quais foram essas lições?
Flávia — No período de governo, que acompanhei no dia-a-dia, vi como se faz uma boa gestão, como trabalhar, como agregar. No período difícil, aprendi muito também, especialmente em quem não se deve confiar.
Como se comportará na campanha?
Flávia — Já vinha participando e agora terei o papel que me cabe como vice. Estarei todo o tempo ao lado do Frejat. E contarei com o apoio do José Roberto. Todos sabem que ele é quem estava à frente nas pesquisas e não poderá de ter seu papel. Grande parte da população queria a volta dele e eu pretendo, como mulher, mostrar que ele está presente,
Arruda estará no palanque?
Arruda — Claro. Estarei ao lado do Frejat e da Flávia. Assumi um compromisso com a população. Por exemplo: tinha o apoio de 90% da Polícia Militar, que por sua vez sabe que faríamos um plano de carreira justo. Frejat fará isso. Da mesma maneira estenderá o metrô, fará no Sol Nascente e no Por-do-Sol as obras que prometi já para janeiro, melhorará o sistema viário e cumprirá os demais compromissos. A presença da Flávia é a forma simbólica de mostrar a continuidade deles. Hoje sou um cidadão comum a serviço desses ideais. E há males que vêm para bem: acho que Brasília ganhará com tudo isso. Frejat tem todas as minhas qualidades, mas não os meus defeitos.
Se a chapa se eleger, Arruda terá papel no governo?
Arruda — Muito importante. Vou cuidar das nossas filhas para a Flávia poder trabalhar sossegada.
Deixa a política?
Arruda — Não me retirei apenas da eleição, eu me retirei da vida pública. Tenho um papel de líder político que vou exercer, mas está fora de possibilidade assumir qualquer cargo público.
Quem imagina enfrentar em um hipotético segundo turno?
Arruda — Frejat tem potencial para ganhar no primeiro turno, inclusive porque ele e Flávia podem reter todos os votos que eu tinha e buscar votos que eu não tinha. Se houver segundo turno, não sei se vai enfrentar o Agnelo ou o Agnelozinho. Os dois são muito parecidos. Um já provou sua ineficiência e, se tomarmos o discurso do Rodrigo, veremos que é igual ao de Agnelo em 2010. A inexperiência de governar, por duas vezes seguidas, a cidade não aguenta. Os dois são absolutamente iguais. São como caixas de presente, bonitinhas por fora, mas que não têm nada dentro.