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Política & Poder

JBr entrevista Joaquim Roriz

Arquivo Geral

15/08/2010 12h38

Fabio Grecchi, Maria Eugênia, Isabel Paz e Eduardo Brito

redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

Engana-se quem acredita encontrar Joaquim Roriz assustado com a hipótese de ainda ter a candidatura impugnada. Ao receber a equipe do Jornal de Brasília em sua casa, no Park Way, não aparentava o menor traço de insegurança. Ao contrário: tem certeza de que ganha em 3 de outubro, mas não se arrisca a dizer que será no primeiro turno – algo que irritou seus adversários no debate de quinta-feira. Da mesma forma como não se arrisca a dizer que toma posse, ciente de que o Supremo Tribunal Federal é quem bate o martelo. Mesmo assim, alfineta adversários, sobretudo Agnelo Queiroz. Diz que de nada adianta vestir jaleco e ir para hospital, como sugere o petista para resolver os gargalos da Saúde. Para Roriz, governador procura bons projetos, vai vê-los – onde quer que estejam –, tenta trazê-los e os aplica. Aliás, projetos estes que devem ser sempre voltados para os carentes. “O bem-sucedido, a chamada elite, não gosta de pobre. E com isso eu não posso concordar”.

O senhor espera fazer maioria na Câmara?

Espero. Quando falo a maioria, não é do meu partido, mas da coligação. Nosso objetivo é fazer maioria com folga, porque governo que não tem maioria é mais difícil. Precisamos ligar para o líder e falar: ‘Resolva isso rápido!’ São coisas mínimas que fazem o governo andar rapidamente. Agora, negociar com deputado… Isso é impraticável. Retrocesso.

 

O senhor tem como garantir que quem fizer parte do seu governo não será acusado de corrupção, como aconteceu no governo Arruda?

Não te responderei falando no nome do ex-governador porque governo não é somente o governador. A responsabilidade é do governador porque escolheu seus auxiliares. O governador tem que dar exemplo. Se alguém me filmasse recebendo dinheiro, neste momento acabaria o governo. Achava ele (Arruda) extraordinariamente competente, tanto que eu levei a prestar serviços constantes porque era desenvolto, inteligente e cumpridor daquilo que era determinado.

 

O senhor citou Durval Barbosa (pivô do Mensalão do DEM) como um exemplo de moralidade. Há espaço para ele no seu governo?

Não disse da moralidade, mas de coragem. E isso um dia vai ser reconhecido. No dia em que os governantes do nosso País tiverem consciência de que estão monitorados e de que todo mundo sabe de tudo, vai acabar definitivamente a corrupção. Não tenho nenhuma amizade pessoal (com Durval). Eu o recebi umas duas vezes no meu gabinete quando era governador. Eu o nomeei por pedidos de deputados amigos. Não estou dizendo que ele participará do meu governo. Jamais! Mas é um homem de coragem que consertou Brasília e pode estar contribuindo para consertar o Brasil.

 

Ele era um bom servidor quando foi auxiliar do senhor?

Foi. Tudo que eu determinava, fazia rápido. O bom servidor tem que se submeter à orientação e ele se submetia.

 

Quando o senhor disse que construiria mais sete cidades no DF, que permitia a volta das vans, que trabalhador das ruas não seria impedido de exercer a profissão, o senhor manda um recado para quem defende o choque de ordem?

Não. Estou dizendo o que penso. Temos que aumentar o quadrilátero do DF. Não tem jeito de não aumentar. Quando eu falo em cidades, é para defender a ideia de que precisa aumentar o quadrilátero. Por que eu digo isso? Porque, nesse País, o maior índice de migração é para Brasília. Como impedir de virem para cá? Será que é só nós que temos direito de ter vida melhor? Por que não o pobre, que não tem emprego e lugar para morar? Eu pergunto: quem pediu para nascer? Quem pediu para ser pobre? Nasceram e são pobres. Brasília foi planejada e construída para ter uma população de 500 mil habitantes, mas o brasileiro viu como aqui é bom de viver e hoje não tem mais lugar para receber as pessoas. 

 

O senhor acredita que há preconceito dos seus adversários contra as pessoas que estão vindo para cá em busca de oportunidades?

Total, preconceito enorme. Parece que o bem-sucedido, a chamada elite, não gosta de pobre. E com isso eu não posso concordar. É gente igual a gente. Esses preconceituosos esquecem que têm uma babá para cuidar dos filhos deles; um jardineiro para cuidar do jardim; que têm um motorista, um garçom, uma cozinheira. Como é que esse povo ia viver? Nós somos privilegiados na medida em que temos como fazer, diferente de outros estados em que terras não são consideradas entidades públicas. Aqui todas são, é só desapropriar. Mas aqui não temos mais como desapropriar.

 

 

 

Leia mais na edição deste domingo (15) do Jornal de Brasília.

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