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Política & Poder

Janela leva pelo menos 85 deputados a trocar de partido para eleição

Os números finais ainda poderão ter pequenas variações, pois parte das trocas de última hora ainda pode não ter sido informada ao sistema da Câmara.

Redação Jornal de Brasília

04/04/2026 12h45

Marcello Casal JrAgência Brasil

AUGUSTO TENÓRIO E RAPHAEL DI CUNTO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A janela partidária encerrada nesta sexta-feira (3) fez com que pelo menos 85 dos 513 deputados trocassem de partido. Nessa dança de 17% das cadeiras, o União Brasil é o maior perdedor. A sigla que mais atraiu parlamentares, por sua vez, foi o PL, conforme já apontada a prévia de mudanças registradas até a semana anterior.


Os números finais ainda poderão ter pequenas variações, pois parte das trocas de última hora ainda pode não ter sido informada ao sistema da Câmara.


O União Brasil, que nasceu da fusão do antigo DEM com o PSL, elegeu a terceira maior bancada da Câmara na eleição de 2022, garantindo 59 cadeiras. Agora, chega ao fim da janela partidária com 16 deputados a menos em suas fileiras.


Dois pontos explicam a debandada: a federação com o PP, que fez com que integrantes da legenda perdessem poder nos estados, e a sobrevivência eleitoral da ala mais bolsonarista da sigla. Nesse sentido, 9 deputados deixaram o União rumo ao PL, para terem o “22” em seu número de urna.


Já o PL do senador Flávio Bolsonaro (RJ), que é pré-candidato à Presidência da República, foi quem mais ganhou com a janela partidária. A sigla de oposição elegeu 99 deputados em 2022, mas foi perdendo quadros aos poucos por desentendimentos dentro da própria direita ou para se aproximar do governo Lula (PT).


A sigla chegou a cair para 87 deputados. Agora, pela parcial apresentada ao fim da janela, o PL conseguiu atrair 13 parlamentares e ultrapassou seu tamanho original.


Outro partido que cresceu na Câmara foi o PSD de Gilberto Kassab. A sigla se tornou a terceira força da Casa, perdendo 7 deputados e atraindo 14 até o momento, tendo um saldo positivo de 7 cadeiras. Sua bancada, segundo os dados parciais, chega a 54 integrantes.


O PDT, por sua vez, perdeu 4 deputados e teve sua bancada encolhida para 13 membros. O Podemos atraiu 5 parlamentares, chegando a 21, acima do PSDB, que ressurgiu das cinzas e agora conta com 18 representantes na Câmara.


O caso do Podemos e do PSDB é parecido. Ambas as siglas carecem de lideranças regionais, mas possuem uma estrutura partidária consolidada. Dessa forma, são atrativas para parlamentares que desejam controlar uma legenda em seu estado sem precisar fazer uma disputa interna ou dividir poder.


Para os partidos da base do presidente Lula (PT) pouco mudou. Não houve troca informada no PT até o momento, e os demais partidos que compõem a federação com a sigla, o PV e o PC do B, informaram ter ganhado um deputado cada. Atualmente, essa aliança, que na prática faz as legendas funcionarem como uma só na eleição, conta com 87 cadeiras na Câmara.


Há um caso curioso, porém, no PSB. O partido até o momento informou ter perdido 2 deputados, mas a situação deve mudar com a consolidação dos dados por causa da filiação do senador Rodrigo Pacheco (MG), na última quarta (1). Esperava-se que deputados federais da base dele migrassem para a sigla na última hora, visando apoiá-lo no projeto de disputa pelo Governo de Minas Gerais.


A janela partidária é o período em que deputados federais e estaduais podem trocar de partido sem o risco de perder o mandato por infidelidade. Isso porque a Justiça eleitoral entende que o mandato deles pertence aos partidos. Já senadores podem mudar a qualquer tempo. A janela é aberta 30 dias antes da data final para a troca de partido para a próxima eleição, que será em 4 de outubro.


Ter um grande número de deputados fortalece partidos nas negociações políticas para candidaturas, além de facilitar a eleição de uma maior bancada no pleito de outubro. As mudanças também não impactam a divisão do fundo eleitoral, que em grande parte é rateado proporcionalmente aos votos para a Câmara e ao número de deputados eleitos por cada legenda.


Dessa forma, ao mesmo tempo que ter mais deputados tem um lado positivo na questão política, também apresenta um fator de desafio para distribuir o fundo eleitoral para mais pessoas. No caso de quem perdeu, a aposta é que a verba garantida na eleição anterior ajude na votação de novos parlamentares.


Antes mesmo da abertura da janela, 48 deputados federais já tinham trocado de partido, como o ex-ministro Ricardo Salles (SP), que saiu do PL e se filiou ao Novo para concorrer ao Senado, e Luciano Zucco, que trocou o Republicanos pelo PL para disputar o Governo do Rio Grande do Sul com apoio da família Bolsonaro.


Nessas trocas realizadas antes da janela partidária, foi necessário um acordo entre a legenda que perdeu o deputado e a nova sigla para evitar perda de mandato.

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