O governo brasileiro acusou o presidente argentino, Javier Milei, de tentar interferir nas eleições do Brasil. A nota de repúdio foi divulgada pelo Itamaraty nesta terça-feira (20) após declarações do líder argentino nas redes sociais.
Milei atacou o presidente Lula e insinuou a possibilidade de fraude nas eleições, cujo segundo turno ocorre no próximo domingo (25). O presidente argentino compartilhou um trecho de uma entrevista de Lula e escreveu que espera que “o último truque de campanha suja não inclua roubar a eleição”.
A chancelaria brasileira classificou os ataques como “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”. Na nota, o ministério das Relações Exteriores afirmou que o sistema de voto eletrônico brasileiro “é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades”.
A decisão sobre o futuro do Brasil, segundo o texto oficial, “cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa”. O Itamaraty também afirmou que Milei “reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”.
As relações diplomáticas entre os dois países já estavam rebaixadas desde agosto, após uma série de ofensas anteriores. Desde então, o Brasil não mantém embaixador na Argentina e é representado no país vizinho por um Encarregado de Negócios, cargo de menor hierarquia.
Em julho, o embaixador brasileiro havia sido convocado de volta a Brasília depois que Milei chamou Lula de “presidiário” em um evento público. O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e ambos são sócios do Mercosul.