O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que o seu governo não medirá esforços para contribuir na busca de uma solução para os casos de desaparecimentos e mortes de opositores políticos com envolvimento de autoridades do Estado brasileiro durante o período de 1961-1988.
“Nós vamos continuar. Vamos continuar com mais experiência. Da experiência de 11 anos, sale a comissão já sabe o que foi difícil, o que foi mais fácil, o que é possível aprimorar, o que não é possível aprimorar. Se for preciso fazer decreto, fazer lei, nós vamos ter que fazer. Se for preciso colocar mais gente na comissão, vamos colocar”, disse ele.
“Não haverá nenhum problema de conversar com quem quer que seja, envolver quantos ministros forem necessários, para que a gente possa apresentar essa resposta. A resposta que eu acho justa”, completou Lula, ao participar, nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto, do lançamento do livro Direito à Memória e à Verdade.
Com 500 páginas, o livro é resultado de 11 anos do trabalho da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e atualiza a versão oficial sobre as histórias pessoais de 479 militantes políticos no período de 1961 a 1988. A comissão especial foi instituída em 1995 com o objetivo de reconhecer cada caso, aprovar a reparação indenizatória e localizar os restos mortais que nunca foram entregues para sepultamento.
Formada por representantes de órgãos do governo, das Forças Armadas, do Ministério Público, da Câmara dos Deputados e familiares, o grupo analisou, investigou e julgou 339 casos. No total, 221 pessoas receberam indenização, com valores de R$ 100 mil a R$ 152,5 mil.
Durante a cerimônia, o presidente Lula também elogiou o trabalho realizado pelos representantes da comissão: “Quero cumprimentar todos os membros desta comissão, que, durante 11 anos, trabalhou para que nós pudéssemos subir a quantidade de degraus que nós estamos subindo. É como se fosse a Muralha da China. Ela é longa, mas, se nós lembrarmos o quanto parecia impossível quando começou a comissão e lembrarmos o que se avançou, nós chegaremos à conclusão hoje de que a Muralha da China não é tão intransponível como parece ser”.
Em entrevista à imprensa, depois do lançamento do livro, ao ser indagado sobre a necessidade de abertura de arquivos da ditadura militar ainda desconhecidos do público, o presidente respondeu: “A Dilma é responsável por isso. Grande parte dos arquivos já foi para o Arquivo Nacional. O que falta será mandando para o Arquivo Nacional. E o que nós queremos é contribuir, trabalhar, para que a sociedade brasileira feche a página dessa história, vire a página de uma vez por todas. Acho que há disposição para isso, há vontade para isso. Acho que há vontade dos brasileiros, dos militares, da polícia. O que nós vamos fazer é aquilo que nós temos condições de fazer por isso, a Dilma é coordenadora disso”.