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Política & Poder

Intercept afirma que campanha de Flávio Bolsonaro pagou R$ 600 mil a empresa de manipulação

A Elytron ofereceu sistema de IA para espalhar desinformação em eleições, segundo documentos do Intercept.

Redação Jornal de Brasília

16/10/2026 18h12

flavio bolsonaro (1)

Foto: Brazil Photo Press via AFP

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) pagou R$ 600 mil a uma empresa que ofereceu sistema de inteligência artificial para manipulação clandestina de eleições, conforme documentos revelados pelo The Intercept Brasil. O valor corresponde a três notas fiscais da Elytron Cybersecurity emitidas entre setembro e outubro, que descrevem o serviço como consultoria em tecnologia da informação.

O PL também declarou ter desembolsado R$ 131,9 mil à mesma empresa. As notas de R$ 600 mil foram registradas no sistema da Justiça Eleitoral, sendo duas no valor de R$ 500 mil cada, uma delas cancelada, e uma terceira de R$ 100 mil. A prestação de contas parcial da campanha presidencial listou uma despesa total de R$ 1 milhão com a companhia.

Os documentos obtidos pelo Intercept detalham uma operação que prometia usar IA para mapear grupos de eleitores e executar ações como espalhar boatos, criar contas falsas em redes sociais e aplicar técnicas de guerra psicológica. A consultora de segurança digital Beatriz Farrugia, ouvida pela reportagem, avaliou que o plano descreve uma operação de influência completa.

A empresa se apresenta como especializada em cibersegurança, com sede em São Paulo e atuação internacional. A tecnologia foi apresentada a pessoas ligadas à campanha de reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos em 2024 por um consultor americano, Vincent Edward Reed.

Reed rompeu com a Elytron e denunciou o esquema ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos EUA. Ele afirmou ao Intercept que considerava o sistema uma violação de preceitos éticos e legais, com potencial para usar deepfakes contra eleitores.

Procurada, a campanha de Flávio Bolsonaro afirmou, em nota, que não contrata serviços que violem a legislação eleitoral. A assessoria classificou a associação entre as atividades da empresa e práticas de manipulação como uma tentativa de caráter político-eleitoral.

Dois executivos da Elytron no exterior negaram que a companhia ofereça manipulação política ou deepfakes. Eles também negaram reuniões com a equipe de Trump. A reportagem não encontrou evidências de que o sistema tenha sido usado por Flávio ou pelo PL nas eleições de 2026.

A rede da Elytron inclui conexões com executivos ligados a uma empresa de inteligência artificial dos Emirados Árabes Unidos e ao xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, conselheiro de segurança nacional do país. O Intercept também registra proximidade de dirigentes da empresa com o entorno de Pablo Marçal, integrante da campanha de Flávio.

A revelação ocorre em um contexto de denúncias sobre falhas em sistemas de inteligência artificial da Meta, controladora do WhatsApp. Nesta semana, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva acionou o Tribunal Superior Eleitoral alegando que a ferramenta Meta AI apresentava viés ao recusar pedidos de imagens com “Lula 13” e atender aos de “Flávio 22”.

Em nota, a Meta afirmou ter proibido temporariamente a recomendação de candidatos e a geração de imagens, além de ter corrigido uma lacuna no sistema. A resolução 23.755/2026 do TSE proíbe o favorecimento político-eleitoral por meio de respostas automatizadas.

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