São colecionáveis os episódios de insatisfação dos distritais com o governo Rodrigo Rollemberg. Ainda na campanha, ele prometia, em discurso, uma relação republicana com a Câmara Legislativa, e o fim do usual “toma lá, dá cá”. Ele bem que tentou, mas teve de se render ao método tradicional para angariar apoio. No início, quando fez a primeira repartição de cargos,causou furor na Casa, com a divisão desigual de espaço. Na tentativa de melhorar a articulação, no início do ano, prometeu que formaria um núcleo duro de apoio ao Executivo e, de onde, sairia, inclusive, o novo líder de governo. Nada saiu do papel desde então.
“A gente esperava que pudesse opinar sobre políticas públicas, questões programáticas, mas o grupo não foi efetivamente criado”, explica o deputado Cláudio Abrantes, da Rede, um dos partidos convidados pelo governador para formar a base de apoio. Participariam, ainda, PDT, PSB e PV.
“A sinalização que o Palácio do Buriti dá é de que não escuta o Parlamento, nem os partidos”, continuou o ex-petista.
A sinalização do governo, reitera Cláudio Abrantes, era de criar um núcleo para opinar, trabalhar, constrruir uma agenda positiva do governo. “Hoje, a sinalização é o inverso”.
Participar do governo, conforme o deputado da Rede, vai muito além de dividir cargos. “Temos a clara intenção de melhorar a gestão, a relação com o Legislativa e a população”, reitera.
Movimentação
Israel Batista (PV) é mais otimista. Para ele, a movimentação do governo começa a tomar corpo. “O governador precisava esperar a conclusão da janela partidária, para saber quais deputados sairiam e ficariam nos partidos. Não adiantava fazer movimentação enquanto a janela não acabasse”, opina.
Na opinião dele, a criação do núcleo duro deve voltar à pauta nesta semana. “A discussão de um núcleo duro só pode acontecer depois da discussão da formação dos blocos”, diz ele, para quem, “no fundo”, trata-se do mesmo assunto.
Rollemberg tem cuidado pessoalmente do assunto. Tem se reunido e telefonado aos deputados, articulando a formação de grupos.

Os sete escolhidos
1Roosevelt Vilela (PSB) – Suplente do hoje secretário de do Trabalho, Joe Valle, o deputado era o único representante do partido do governador na Casa. É escolha natural para formar o núcleo político no Legislativo.
2Luzia de Paula (PSB) – Atraída pelo governador para o partido dele, ela deixou a Rede, que tem se posicionado de forma independente na Câmara Legislativa
3Juarezão (PSB) – Deixou o PRTB para entrar no rol dos preferidos de Rollemberg.
4Chico Leite (Rede) – apesar dos planos para o futuro, está na conta do Palácio do Buriti como apoiador do governo.
5 Cláudio Abrantes (Rede) – O mais maleável da Rede tem apoiado o governo, apesar da posição do partido.
6 Israel Batista (PDT) – sempre esteve ao lado de Rollemberg e não deve largar os cargos que tem no Executivo tão fácil.
7 Reginaldo Veras (PDT) – apesar do partido ser da base de Rollemberg desde a primeira aliança, tem tido posição crítica em relação ao governo. Mas é base sim.