Menu
Política & Poder

Ideia de criar grupo de apoio ao governo está adormecida no Buriti

Arquivo Geral

04/04/2016 7h35

São  colecionáveis os episódios de insatisfação dos  distritais com o governo Rodrigo Rollemberg. Ainda na campanha, ele prometia, em discurso, uma relação republicana com a Câmara Legislativa, e o fim do usual “toma lá, dá cá”. Ele bem que tentou, mas teve de se render ao método tradicional para angariar apoio. No início, quando fez a primeira repartição de cargos,causou furor na Casa, com a divisão desigual de espaço. Na tentativa de melhorar a articulação, no início do ano, prometeu que formaria um núcleo duro de apoio ao Executivo e, de onde, sairia, inclusive, o novo líder de governo. Nada saiu do papel desde então.

 “A gente  esperava que pudesse opinar sobre políticas públicas, questões programáticas, mas o grupo não foi efetivamente criado”, explica o deputado Cláudio Abrantes, da Rede, um dos partidos convidados pelo governador para formar a base de apoio. Participariam, ainda, PDT, PSB e PV. 

 “A sinalização que o Palácio do Buriti dá é de que não  escuta o Parlamento, nem os partidos”, continuou o ex-petista.

A sinalização do governo, reitera Cláudio Abrantes,  era de  criar um núcleo  para opinar, trabalhar, constrruir uma agenda positiva do governo. “Hoje, a sinalização é o inverso”.

Participar do governo, conforme o deputado da Rede, vai muito além de dividir cargos. “Temos a clara intenção de melhorar a gestão, a relação com o Legislativa e a população”, reitera.

Movimentação

Israel Batista (PV) é mais otimista. Para ele, a movimentação do governo começa a tomar corpo. “O governador precisava esperar a conclusão da janela partidária, para saber quais deputados sairiam e ficariam nos partidos. Não adiantava fazer movimentação enquanto a janela não acabasse”, opina. 

Na opinião dele, a criação do núcleo duro deve voltar à pauta nesta semana. “A discussão de um núcleo duro só pode acontecer depois da discussão da formação dos blocos”, diz ele, para quem, “no fundo”, trata-se do mesmo assunto.

Rollemberg tem cuidado pessoalmente do assunto. Tem se reunido e telefonado aos deputados, articulando a formação de grupos.

Os sete escolhidos

1Roosevelt Vilela (PSB) – Suplente do hoje secretário de do Trabalho, Joe Valle, o deputado era o único representante do partido do governador na Casa. É escolha natural para formar o núcleo político no Legislativo.

2Luzia de Paula (PSB) – Atraída pelo governador para o partido dele, ela deixou a Rede, que tem se posicionado de forma independente na Câmara Legislativa

3Juarezão  (PSB) – Deixou o PRTB para entrar no rol dos preferidos de Rollemberg.

4Chico Leite (Rede) – apesar dos planos para o futuro, está na conta do Palácio do Buriti como apoiador do governo.

5 Cláudio Abrantes (Rede) – O mais maleável da Rede tem apoiado o governo, apesar da posição do partido. 

6 Israel Batista (PDT) – sempre esteve ao lado de Rollemberg e não deve largar os cargos que tem no Executivo tão fácil.

7 Reginaldo Veras (PDT) – apesar do partido ser da base de Rollemberg desde a primeira aliança, tem tido posição crítica em relação ao governo. Mas é base sim.

 
Governo nega que haja “isolamento”
 
Embora todos os deputados falem abertamente sobre a intenção do governador de reforçar o apoio na Câmara Legislativa, o articulador oficial do governo – o secretário adjunto de Relações Institucionais, Igor Tokarski – desconversa: “O que vejo é que o governador tem conversado bastante com os presidentes dos partidos que tenham alinhamento com o governo. E  também com os deputados da base”.
 Ele nega, no entanto, que o propósito das conversas e reuniões seja a criação de um núcleo. “Não estamos pensando em isolamento. Toda a base tem o papel de votar com o o governo, de defender o governo”, afirma. 
Com o fim da janela partidária, ele explica, em que o governador participou da articulação para atrair dois novos deputados para o PSB – Luzia de Paula e Juarezão, a articulação entra em uma nova fase. “Esperamos que possamos avançar em projetos importantes para o governo”, resume.
 
“Distância necessária”
O problema é de articulação, na opinião do deputado Reginaldo Veras (PDT), que diz não ter se reunido com o governador desde quando ele chamou os distritais com alinhamento com o Executivo. “O governador chamou, conversou, mas, até agora, não tocou mais no assunto. Não tem nada de concreto”, explica. 
Ele diz que, se há conversas com os parlamentares em particular para negociar espaços, ele não participou. “Não sei quais os acordos que o governador está fazendo com os deputados. E não estou indo atrás disso. “Estou mantendo uma distância necessária”, garante.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado