O ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu a ampliação da rede de ensino em tempo integral no Estado que, segundo ele, parou de avançar sob a gestão do atual chefe do executivo paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Haddad também disse que “não falta dinheiro” e sim iniciativa para melhorar a Educação pública em São Paulo, já que o Estado é o mais rico da Federação e mesmo assim tem desempenho inferior a outros estados, como Ceará, Piauí e Pernambuco.
As declarações foram feitas durante sabatina realizada pela rádio CBN e os jornais O Globo e Valor Econômico.
O petista também defendeu a realização de novos concursos públicos na rede estadual, destacando que, hoje, quase metade dos professores tem apenas contratos temporários.
“Vai ter que fazer um processo, que eu não sei quantos anos vai durar, de recontratação de pessoas concursadas. E eu não gosto de concurso feito de qualquer jeito. A gente tem que rever as formas de fazer concurso para selecionar as melhores pessoas”, detalhou o candidato.
Ainda no âmbito da Educação, Haddad disse não concordar com o modelo de escolas cívico-militares e que não pretende expandi-lo no Estado.
Ele frisou também que essas mudanças não podem ser impostas, e sim feitas após consulta direta às escolas envolvidas. “Não adianta os prefeitos estarem fazendo a lição de casa no Ensino Fundamental 1 e 2 e você não ter um Ensino Médio estruturado”, acrescentou.
Rodovias e benefícios fiscais
Durante a sabatina, Haddad também pontuou que não é contra que sejam feitas mais concessões em rodovias. Ele disse que concorda, por exemplo, em implementar pedágios em uma estrada que será duplicada, mas que, após o fim do contrato e das obras, não é correto manter as vias pedagiadas. “Essas questões me incomodam. Não é uma questão de qual é o setor que você está privatizando, mas qual o objetivo de retorno à sociedade.”
O petista também disse não ser contra a adoção da ferramenta free flow nas cobranças de pedágio, mas que, houve “má gestão comprovada” na implementação da ferramenta pela gestão Tarcísio. “Ele colocou free flow, não avisou que pôs. A pessoa foi pedagiada num site que não sabia que estava devendo”, criticou.
No âmbito fiscal, o ex-ministro da Fazenda também voltou a criticar a falta de transparência dada pela atual gestão na concessão de subsídios e isenções. “Ninguém sabe os CNPJ que são beneficiados. Não tem avaliação crítica e transparência”, disse Haddad, citando que pretende divulgar essas informações, a exemplo de sua gestão à frente da Fazenda.
Estadão Conteúdo.