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Política & Poder

Haddad elogia Fachin por iniciativa de código de ética no STF

Ministro defende iniciativa de Edson Fachin para enfrentar crise de imagem da corte, afirma que instituições devem promover “autosaneamento” e diz que reunião com Daniel Vorcaro não indica irregularidade

Redação Jornal de Brasília

29/01/2026 13h03

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Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

MARCOS HERMANSON
FOLHAPRESS

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), manifestou, em entrevista nesta quinta-feira (29), apoio à iniciativa do ministro STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin de definir um código de conduta na corte. Haddad também minimizou o encontro em 2024, fora da agenda oficial, do presidente Lula (PT) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master.

Sobre o STF, o ministro disse que a instituição está nas mãos de uma pessoa correta. “Acredito que o Fachin está com o melhor ânimo pra dar uma resposta a isso da maneira adequada”, disse o ministro da Fazenda durante entrevista ao portal Metrópoles, ao ser questionado sobre a crise no STF.

Haddad reforçou, no entanto, que o tema é uma questão interna da corte. O código de conduta é uma das medidas defendidas pelo presidente do supremo para fazer frente à crise de imagem vivenciada pela corte, na esteira dos desdobramentos da investigação sobre o Banco Master.

Nas últimas semanas, vieram à tona ligações indiretas entre os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, que é investigado pela Polícia Federal por fraude, em procedimento supervisionado pelo STF.

Questionado sobe a crise na suprema corte, Haddad afirmou que os órgãos públicos não podem temer o “autosaneamento” quando há problemas institucionais. “As instituições que têm o dever de fiscalizar e punir tem que ter um procedimento interno para dar clareza ao que está acontecendo, para sua própria sustentabilidade e legitimidade”, disse.

“Vamos supor que na Receita eu descubro um servidor que na minha opinião pode ter agido de forma equivocada. Vou mandar abrir procedimento para apurar”, afirmou o ministro, citando a abertura de uma investigação interna do Banco Central sobre a condução do caso Master.

Em dezembro do ano passado, o jornal O Globo revelou contrato entre o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci, com o Banco Master. Depois, reportagem da Folha mostrou que dois irmãos e um primo do ministro Dias Toffoli foram donos de um resort em sociedade com fundos que integravam a suposta teia de fraudes do banco.

O presidente Lula recebeu Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024. O encontro foi antes do escândalo de fraude financeira ser conhecido do público.

Haddad disse na entrevista que já havia rumores de problemas com o Banco Master circulando em 2024, mas sem indícios de fraude ou de crime. Os indícios, segundo ele, seriam apenas de um “negócio mal feito”.

De acordo com o ministro, ele não sabia que a reunião aconteceria. Haddad também citou as doações de campanha feitas pelo cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, às candidaturas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL) na campanha de 2022.

“[Alguém] vai falar ‘recebeu dinheiro de campanha é indecente, vagabundo’. Não é assim. Me encontro com muito empresário. Se eu me encontrei com um que fez alguma coisa, isso me torna suspeito?”, disse o ministro.

Haddad disse que, no passado, já estaria mais apropriado de elementos concretos e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, estava muito preocupado, abrindo procedimentos internos pra mergulhar na fiscalização.

A informação de que o Banco Central está fazendo, desde o fim do ano passado, uma investigação interna para analisar a condução do processo de fiscalização envolvendo o Banco Master só veio à tona nesta quinta.

O procedimento envolve desde a expansão do conglomerado de Daniel Vorcaro até a liquidação da instituição em novembro de 2025. A informação sobre a investigação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha.

Haddad defendeu a condução dada pelo Banco Central ao caso do Master, que, voltou a afirmar, teria sido um “abacaxi” herdado pelo atual presidente, Gabriel Galípolo, da gestão de Roberto Campos Neto. “O Gabriel tomou todas as providências necessárias”.

O minsitro da Fazenda também falou sobre o almoço entre ele, o ministro Dias Toffoli e o presidente Lula em dezembro, e confirmou que o principal tema tratado foi o Master.

“O presidente [Lula] quis passar pro ministro Toffoli que nós temos a oportunidade de dar uma resposta à corrupção pelo andar de cima”, disse o petista.

Haddad confirmou que deixa o Ministério da Fazenda ainda em fevereiro, mas não disse quem será o seu sucessor. “O presidente Lula tem muito apreço pela equipe do Ministério da Fazenda”, afirmou Haddad -um dos nomes mais cotados para assumir a cadeira é o do secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan.

Haddad tem sido pressionado, inclusive publicamente por outros colegas da esplanada, a ser candidato em São Paulo. Ideia que ele tem resistido a aceitar.

“Já me coloquei à disposição pra participar da campanha, ajudar a formular um plano de governo. Em 2022, mostramos que campo progressista tem nome, sim. Temos nomes bons no estado”, disse Haddad.

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