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Política & Poder

Governo Trump deve anunciar mais cancelamentos de vistos após condenação de Bolsonaro

Medida deve atingir Jorge Messias, diretor da PF e assessores de Alexandre de Moraes; anúncio ocorre durante viagem de Lula à ONU, aumentando tensão diplomática

Redação Jornal de Brasília

22/09/2025 12h46

Foto: Antonio Augusto/Flickr STF

Foto: Antonio Augusto/Flickr STF

JULIA CHAIB
FOLHAPRESS

O governo Donald Trump deve anunciar nesta segunda-feira (22) a ampliação das restrições de vistos ao país de mais autoridades brasileiras em reação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal).

Devem ser atingidos, segundo a reportagem apurou, o ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, o diretor-geral da Polícia Federal, Fabio Schor, e três assessores do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

A revogação do visto de Messias foi informada à agência Reuters por um integrante sênior da administração Trump.

A medida deve ser anunciada durante viagem do presidente Lula (PT) a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU (Organizações das Nações Unidas), impondo um constrangimento à delegação brasileira.

A tendência é que Lula responda a Trump durante discurso no debate da assembleia, nesta terça-feira (23). O Brasil é o primeiro a falar, seguido pelos EUA.

Em julho, o governo anunciou a proibição da entrada nos EUA de Moraes e de “seus aliados” na corte.
Depois, em agosto, no mês passado, Trump revogou o visto de o ministro Alexandre Padilha (Saúde) para entrar nos EUA, além dos documentos de sua esposa e de sua filha. A justificativa foi a atuação do ministro na criação do programa Mais Médicos, no governo Dilma Rousseff.

Padilha não foi diretamente atingido naquele momento pois seu visto tinha vencido em 2024, mas ficou proibido de obter uma nova permissão de viagem. Na terça (16), ele disse não estar “nem aí” para a resposta dos EUA sobre seu visto.

Na semana passada, porém, os EUA concederam visto a Padilha para participar de reunião da ONU, mas restringiram a circulação dele a cinco quarteirões em NY, o que levou o ministro a desistir daviagem.

Padilha avaliou que as limitações determinadas pelos americanos são desrespeitosas com o Brasil e com o tratado internacional que rege a relação da ONU com o país sede da organização -no caso, os EUA.

A medida foi tomada no escopo de decisão do Departamento de Estado de revogar vistos de autoridades brasileiras e ex-funcionários da Opas (Organização Pan Americana de Saúde) que tenham atuado na contratação de médicos cubanos no programa Mais Médicos.

A gestão Trump afirmou que revogou os vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales e Alberto Kleiman. O Departamento de Estado justificou a medida porque ambos “trabalharam no Ministério da Saúde do Brasil durante o programa Mais Médicos e desempenharam um papel no planejamento e na implementação do programa”.

“Esses funcionários foram responsáveis pela cumplicidade com o esquema coercitivo de exportação de mão de obra do regime cubano ou se envolveram nisso, o que explora profissionais médicos cubanos por meio de trabalho forçado. Esse esquema enriquece o corrupto regime cubano e priva o povo cubano de cuidados médicos essenciais”, acusou o órgão americano.

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