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Política & Poder

Governo não pretende usar projeto da retaliação aos EUA, diz Alckmin

Na noite de quarta (2), horas depois de Trump ter anunciado seu tarifaço, que teve entre os seus alvos o Brasil, a Câmara aprovou um projeto de lei que autoriza o governo a promover uma retaliação comercial

Redação Jornal de Brasília

03/04/2025 19h19

alckmin

Foto: Júlio César Silva/MDIC

RICARDO DELLA COLETTA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), disse nesta quinta-feira (3) que o governo não pretende usar o projeto de lei da reciprocidade, que permite o Brasil retaliar o tarifaço imposto por Donald Trump.

“[É] Uma boa legislação, necessária, importante, mas não pretendemos usá-la. O que queremos fazer é o diálogo e a negociação. Mesmo o Brasil ficando com a menor tarifa, 10%, ela é ruim. Ninguém ganha numa guerra tarifária, perde o conjunto”, disse Alckmin, durante entrevista a um podcast.

Na noite de quarta (2), horas depois de Trump ter anunciado seu tarifaço, que teve entre os seus alvos o Brasil, a Câmara aprovou um projeto de lei que autoriza o governo a promover uma retaliação comercial em caso de discriminação contra produtos brasileiros.

A proposta, que teve apoio tanto do governo como da bancada ruralista, permite a imposição de barreiras tanto contra produtos como na área de propriedade intelectual.

Alckmin disse nesta quinta que, mesmo tendo recebido o menor índice de tarifa por Trump, a sobretaxa de 10% para o Brasil também foi ruim. “O caminho que vemos é o do diálogo, da negociação. É isso que vamos fazer”, declarou.

O vice-presidente afirmou ainda na entrevista que o governo ficará atento a desvios de mercado, diante da possibilidade de que grandes exportadores que não mais consigam acessar o mercado americano terminem por “desaguar” seus produtos no Brasil.

“Vamos ficar atentos a desvio de mercado, de comércio. Você tem bloqueio aqui, você pode desaguar no Brasil, prejudicando a indústria, o comércio loca”, disse.

Ele também previu que a guerra comercial de Trump tende a acelerar as implementação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

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