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Política & Poder

Governo Lula cria 273 cargos políticos em estatais com custo de R$ 206 milhões por ano

Segundo levantamento do Estadão, os postos são ocupados por petistas, aliados e familiares de políticos, espalhados por 16 estatais

Redação Jornal de Brasília

25/06/2025 6h48

Foto: Ricardo Stuckert

Desde janeiro de 2023, as estatais brasileiras criaram 273 cargos comissionados, abertos a indicações políticas, com custo anual estimado em R$ 206 milhões. Segundo levantamento do Estadão, os postos são ocupados por petistas, aliados e familiares de políticos, espalhados por 16 estatais.

Alertas ignorados

Pareceres técnicos do Ministério da Gestão alertaram para riscos à governança, mas foram ignorados. A pasta diz que esses cargos representam “um a cada 314” funcionários e têm uso “pontual e restrito”.


Casos emblemáticos

Grupo Hospitalar Conceição (GHC)

  • Teve crescimento de 331% no número de comissionados (de 16 para 69).
  • Alegou necessidade de gestão de novos hospitais.
  • Nomeou figuras ligadas ao PT, como ex-assessoras e militantes.
  • Cargos com salários de até R$ 22 mil.

Dataprev

  • Aumentou de 33 para 93 cargos políticos (+181%).
  • Justificativa: novos projetos como o novo CadÚnico e o CAR.
  • Ocupa cargos com militantes como o namorado da deputada Adriana Accorsi (PT-GO).
  • Remunerações elevadas; 65% dos cargos já preenchidos.

BNDES

  • Criou 9 novos cargos para o presidente Aloizio Mercadante, somando 56 comissionados.
  • Alguns salários superam o teto constitucional (R$ 52 mil a R$ 60 mil).
  • Entre os nomeados: Juca Ferreira (ex-ministro da Cultura), ex-assessores de senadores e políticos.
  • Justificativa: “retomar protagonismo do banco” e atender novas áreas como PPPs e exportações.
  • Estudo da consultoria Mercer revelou que salários estavam acima do mercado.

Telebras

  • Criou 3 novos cargos comissionados em dezembro de 2023.
  • Desobedeceu decisões judiciais anteriores que exigiam redução de indicações políticas.
  • A Sest (órgão do Ministério da Gestão) classificou como “temerária” a proposta de aumentar os cargos para 88 — 19% do quadro total, bem acima da média de 5%.
  • Cargos usados para abrigar parentes de ministros do governo.

Críticas e justificativas

  • Governo afirma que os comissionados trazem “novas expertises” e trabalham em “projetos específicos”.
  • Técnicos alertam para desvio de finalidade, excesso de indicações políticas e risco à eficiência e transparência da administração pública.
  • Oposição promete questionar os aumentos e cobrar critérios técnicos.

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