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Política & Poder

Governo finaliza plano de contingência para enfrentar tarifa de 50% dos EUA e espera aval de Lula

Medidas para mitigar os impactos sobre exportações brasileiras devem ser apresentadas a Lula na próxima semana; Haddad diz que Casa Branca evita diálogo direto

Redação Jornal de Brasília

23/07/2025 22h24

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Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou nesta quarta-feira (23) que as áreas técnicas dos ministérios da Fazenda, Indústria e Relações Exteriores concluíram um plano de contingência para minimizar os impactos das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O pacote será levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana, após revisão final por ministros do governo.

A proposta foi construída a partir de diretrizes estabelecidas por Haddad e pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. O plano ainda será submetido à avaliação dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Rui Costa (Casa Civil), antes de ser apresentado ao presidente.

Sem revelar detalhes das medidas, Haddad afirmou que a prioridade do governo segue sendo a tentativa de negociação com os Estados Unidos. No entanto, o ministro reconheceu dificuldades no diálogo com a Casa Branca.

“Estamos falando com a equipe técnica do Tesouro americano, mas não com o secretário Scott Bessent”, disse. Segundo ele, o tema estaria restrito a uma ala específica da assessoria da presidência dos EUA, o que tem impedido avanços concretos.

Apesar disso, Haddad demonstrou otimismo, citando acordos recentes firmados com países como Vietnã, Japão, Indonésia e Filipinas, além dos avanços entre Estados Unidos e União Europeia como possíveis estímulos para um entendimento com o Brasil. As informações são da Agência Brasil.

“O Brasil nunca saiu da mesa de negociação. Podemos chegar ao dia 1º de agosto com algum aceno, mas precisamos das duas partes sentadas para haver acordo”, declarou.

Apoio regional limitado

O ministro também comentou iniciativas estaduais de apoio aos setores afetados. Ele elogiou a mobilização de governadores, mas alertou que as ações locais têm efeito limitado frente à dimensão do problema.

Como exemplo, citou a linha de crédito de R$ 200 milhões anunciada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, destacando que a cifra representa apenas uma fração dos US$ 40 bilhões impactados pelas tarifas americanas.

Ainda assim, Haddad considerou positiva a mudança de postura política dos governadores, que agora reconhecem os prejuízos da medida imposta pelos EUA. “É importante que deixem de comemorar agressões estrangeiras contra o Brasil e passem a atuar em defesa da nossa economia”, concluiu.

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