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O governo do Rio de Janeiro solicitou que o STF (Supremo Tribunal Federal) amplie para 20 dias úteis o prazo para encaminhar as imagens das câmeras dos agentes envolvidos na megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou 122 pessoas mortas.
Volume elevado de dados audiovisuais estão entre as justificativas da gestão de Cláudio Castro. Em manifestação enviada ao STF, o governo detalhou que as imagens das câmeras corporais foram feitas de diferentes órgãos estaduais, “o que demanda procedimentos técnicos de consolidação, organização e verificação da integridade das informações”.
Solicitação da ampliação do prazo de 20 dias úteis foi feita na sexta-feira (6). De acordo com a gestão, a natureza sensível do material impõe a necessidade de definição de solução adequada de tecnologia da informação para o armazenamento e o envio seguro das imagens, com preservação da integridade dos arquivos. Manifestação foi assinada pelo secretário estadual de Segurança Pública, Victor Santos, pelo procurador-geral do estado, Renan Miguel Saad, e pelo procurador do estado, Carlos da Costa e Silva.
Imagens foram solicitadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no dia 4 de fevereiro. Moraes deu prazo de 15 dias para o Executivo estadual e determinou que as imagens das imagens capturadas durante a ação devem ser enviadas para a Diretoria Geral da Polícia Federal para realização de perícia, com transcrição e laudo.
O ministro também determinou que o Ministério Público do Rio de Janeiro esclareça a participação do órgão em todas as fases da Operação. Moraes deu ainda um prazo de cinco dias para o Conselho Nacional de Justiça informar ao STF o estágio atual da análise do Plano Estratégico de Reocupação Territorial apresentado pelo governo do Rio de Janeiro em dezembro do ano passado.
AGENTES FORAM PRESOS APÓS ANÁLISES DE CÂMERAS
A Corregedoria a Polícia Militar prendeu seis agentes do Batalhão de Choque, suspeitos de cometer crimes durante a megaoperação de outubro. A prisão levou em conta a análise das câmeras corporais dos policiais. Ao menos dez policiais militares do Batalhão de Polícia de Choque foram investigados depois da ação.
Apenas 23% dos policiais dos policiais que atuaram na Contenção usaram câmeras corporais. Para 2,5 mil policiais que agiram na Penha e Alemão, havia somente 569 câmeras, segundo informou o governo do Rio ao STF. De acordo com a gestão estadual, falhas técnicas impediram uso de câmeras por todo o efetivo policial.
Operação Contenção, que deixou 122 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, foi considerada a mais letal da história do país. Ação buscava conter o avanço territorial do CV (Comando Vermelho), prender integrantes já identificados, arrecadar novas provas, identificar patrimônios ilícitos para posterior bloqueio judicial, bem como apreender drogas, armamentos e remover barricadas.
O principal alvo da operação, Edgar Alves de Andrade, vulgo Doca ou Urso, não foi localizado pelas polícias. Apontado pela Polícia Civil do Rio como o principal chefe do Comando Vermelho fora dos presídios, ele está foragido há sete anos. Doca tem 273 anotações criminais e 32 mandados de prisão em aberto. Secretário de Segurança do Estado, Victor César dos Santos afirmou à reportagem que a prioridade do governo é asfixiar o crime, não eleger prioridades de detenção.
Polícia prendeu 113 pessoas e apreendeu 10 adolescentes. Entre os detidos, 33 são de outros estados.
Foram apreendidas 118 armas, entre elas 91 fuzis. O número exato de drogas e munições apreendidos não foi informado pelos órgãos, na época. Ação mobilizou 2.500 agentes para cumprir mandados de busca e apreensão em localidades da capital fluminense.
Em janeiro deste ano, o governo do Rio chegou a fazer uma nova fase da operação. A ação contra membros do CV ocorreu em outros locais como a Vila Kennedy, na zona oeste do Rio, e no Complexo do Chapadão onde outros três suspeitos morreram.