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Política & Poder

Governo avalia fusão entre Planejamento e Gestão, com Esther Dweck à frente da pasta

A ministra tem a confiança de Lula e já é integrante da JEO (Junta de Execução Orçamentária), colegiado de ministros que assessora o presidente na condução da política fiscal

Redação Jornal de Brasília

30/01/2026 14h02

Foto: Agência Brasil

CATIA SEABRA, CAIO SPECHOTO E IDIANA TOMAZELLI
FOLHAPRESS

A fusão entre os ministérios do Planejamento e da Gestão virou uma opção para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a saída de Simone Tebet, que afirmou nesta sexta-feira (30) que deixará o cargo até 30 de março para disputar a eleição este ano.

Atual titular da Gestão, a ministra Esther Dweck é a mais cotada para ficar à frente da nova pasta, acumulando suas competências atuais com a responsabilidade pelo Orçamento Federal.

Antes mesmo de a fusão passar a ser cogitada, Dweck já vinha sendo apontada como possível sucessora de Tebet. A ministra tem a confiança de Lula e já é integrante da JEO (Junta de Execução Orçamentária), colegiado de ministros que assessora o presidente na condução da política fiscal.

O presidente ainda não bateu o martelo sobre o desenho final, mas a junção das duas pastas tem apoio de técnicos e autoridades na Esplanada. A iniciativa dependeria de uma MP (medida provisória), que tem vigência máxima de 120 dias, até a aprovação pelo Congresso Nacional.

Os defensores dessa mudança argumentam que haveria ganhos de eficiência, uma vez que as duas pastas lidam com temas relacionados, como a política de pessoal. Embora a Gestão conduza as negociações com as carreiras, o Planejamento precisa dar aval às reestruturações devido ao impacto no Orçamento.

Em gestões anteriores do PT e até mesmo de outras siglas, como no governo Michel Temer (MDB), o Ministério do Planejamento abrigava não só as competências ligadas ao Orçamento, mas também à gestão de pessoal e de empresas estatais.

No terceiro mandato de Lula, essas duas últimas áreas foram pela primeira vez segregadas em um ministério próprio, comandado por Dweck, um nome de confiança do presidente. Na época, o movimento foi visto como uma maneira de tirar da alçada de Tebet, que possui uma visão mais liberal sobre a economia, duas áreas consideradas estratégicas pelo PT.

Ao mesmo tempo, Dweck ganhou assento na JEO, tendo como argumento sua experiência na gestão do Orçamento —ela já foi secretária de Orçamento Federal no governo Dilma Rousseff (PT).

Para quem conhece o dia a dia do Ministério da Gestão, a eventual fusão é vista como possível num contexto circunstancial, mas não como um desenho duradouro. A avaliação dessa ala é que a pasta conseguiu dar tração a temas que antes ficavam eclipsados pela gestão do Orçamento, tarefa que sempre demandava grande atenção do gestor da pasta no antigo desenho.

Por outro lado, o Planejamento sob Tebet acabou tendo uma atuação mais apagada. Apostas iniciais de destaque, como a agenda de revisão de gastos, só deslancharam quando Fazenda e Casa Civil assumiram a liderança na condução dessas discussões.

Outro ponto citado é o fato de que Dweck já acumulou funções no governo anteriormente. Em 2024, ela foi escalada para comandar temporariamente o Ministério dos Direitos Humanos no lugar de Silvio Almeida, demitido após acusações de assédio sexual. O acúmulo durou pouco tempo, pois três dias depois Lula anunciou Macaé Evaristo como ministra dos Direitos Humanos, mas a experiência é citada como um ponto a favor.

A fusão entre Planejamento e Gestão também eliminaria a necessidade de alçar mais nomes ao primeiro escalão do governo num momento em que o Executivo pode perder metade de seus ministros devido às eleições.

No caso de migração de Dweck para o Planejamento, seria necessário nomear um novo ministro para seu lugar —uma possibilidade seria o atual secretário-executivo, Cilair Abreu.

Outro nome cogitado para suceder Tebet em um cenário sem a junção das pastas vinha sendo o do secretário especial de Análise Governamental da Casa Civil, Bruno Moretti.

Pessoas do entorno de Lula, porém, avaliam que o presidente julga a permanência de Moretti em seu posto atual importante para o funcionamento do governo, reduzindo as chances de ele assumir um ministério. Integrantes da Casa Civil despacham do Palácio do Planalto e costumam ter contato direto com o presidente da República.

O momento da saída de Tebet pode influenciar a decisão do governo, dado o tempo exigido para a fusão. Se a ministra sair nas próximas semanas, ganharia força a ideia de reunificação. Se a saída for no limite do prazo, o plano pode ser deixado de lado.

Tebet negocia uma mudança de domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo, onde deve ser candidata a senadora ou governadora na aliança de Lula. Se ela for realmente mudar de estado, a tendência é sair mais cedo do ministério.

Ela provavelmente terá de mudar de partido para poder apoiar Lula em solo paulista. O MDB, sigla à qual é filiada, apoia o governador bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo. Outra ala do partido, porém, defende aliança nacional com a chapa de Lula.

A debandada de ministros em ano eleitoral é comum porque só pode se candidatar quem se desincompatibilizar do primeiro escalão ao menos seis meses antes da eleição. Uma ordem de Lula, porém, deu mais peso ao movimento.

O presidente quer ter o maior número de aliados em candidaturas fortes nos estados. Eles terão tanto a função de fazer campanha pela reeleição de Lula em suas bases eleitorais quanto a de eleger senadores, um dos grandes objetivos do partido.

Lula pediu que a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, seja candidata ao Senado. O chefe da Casa Civil, Rui Costa, também deve sair até abril, assim como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad –que não quer ser candidato, mas é pressionado por aliados a disputar o governo de São Paulo.

Na Fazenda, o mais cotado para assumir a pasta é o atual secretário-executivo, Dario Durigan.

Considerado uma espécie de “CEO” do ministério, é ele quem já toca boa parte das tarefas do dia a dia.

Durigan também tem a confiança de Lula e por vezes despacha direto com o presidente.

Caso ele seja alçado ao comando do ministério, a principal aposta para sucedê-lo como número dois é o atual secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.

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