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Política & Poder

Governadora do Distrito Federal pede ajuda ao governo Lula para crise no BRB

O tema foi debatido com o ministro Dario Durigan (Fazenda) por telefone na última segunda-feira (30), segundo pessoas com conhecimento das conversas.

Redação Jornal de Brasília

01/04/2026 14h55

Foto: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília

Foto: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília

NATHALIA GARCIA E THAÍSA OLIVEIRA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), pediu ajuda ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para resolver a crise financeira do BRB (Banco de Brasília). O tema foi debatido com o ministro Dario Durigan (Fazenda) por telefone na última segunda-feira (30), segundo pessoas com conhecimento das conversas.


O banco adiou a divulgação do balanço de 2025, desrespeitando o prazo legal para companhias de capital aberto. É a partir das informações financeiras apresentadas que os investidores em ações e títulos de renda fixa do banco tomam suas decisões.


Sem as demonstrações financeiras, o tamanho do rombo deixado pelas operações feitas com o Master continua desconhecido. Segundo as investigações, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos do banco de Daniel Vorcaro. Apenas uma parcela desse prejuízo foi recuperada pelo banco.
Acionista controlador do BRB, o governo do Distrito Federal não tem recursos suficientes em caixa para fazer um aporte no banco. Por isso, em março, foi sancionada a lei que autoriza a atual gestão a executar ações como a contratação de até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) ou instituições financeiras.


Segundo relato de um interlocutor a par da conversa, a salvação do BRB por meio de uma intervenção do governo federal ou de uma ajuda específica de bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, não está no radar. Uma possibilidade seria a compra de carteiras do BRB por parte dessas instituições, desde que julguem o negócio pertinente.


A avaliação no governo Lula é que esse tema precisa ser solucionado pelo próprio Distrito Federal. Poucos dias antes de deixar o cargo, o então governador Ibaneis Rocha (MDB) deu um passo importante para a capitalização do banco ao formalizar um pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões para o FGC.
Essa é uma das alternativas trabalhadas pelo BRB para contornar a crise. O fundo já informou aos envolvidos que está disposto a negociar a liberação do empréstimo, mas solicitou documentos para dar continuidade às tratativas.


O Distrito Federal não tem hoje capacidade de pagamento para receber garantia do Tesouro Nacional, o que daria condições mais benéficas para o empréstimo, como uma taxa de juros menor. Segundo relato feito à reportagem, o Ministério da Fazenda não tem sinalizado a intenção de abrir uma exceção e fornecer socorro da União.


Como garantias para o empréstimo, Ibaneis apresentou ao FGC participações acionárias de empresas públicas, como Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), CEB (Companhia Energética de Brasília) e o próprio BRB, além de imóveis que pertencem ao Distrito Federal.
Mas existem ressalvas com relação às propriedades selecionadas pelo governo do Distrito Federal. Em meio à tentativa de reestruturação, Celina anunciou que vai retirar a área da Serrinha do Paranoá de qualquer proposta vinculada ao plano de capitalização do BRB.


Essa área de 716 hectares, segundo ambientalistas, é um importante manancial hídrico da região. “A decisão assegura a preservação ambiental da região, considerada sensível e de grande relevância ecológica”, disse o GDF em nota divulgada nesta quarta-feira (1º).


O terreno, contudo, é avaliado em R$ 2,3 bilhões, o equivalente a um terço do total de imóveis apresentados pelo governo do Distrito Federal, cujo conjunto de propriedades foi avaliado preliminarmente em R$ 6,586 bilhões.


A governadora também determinou ao Ibram (Instituto Brasília Ambiental) e à Secretaria de Meio Ambiente a adoção das providências para transformar a Serrinha do Paranoá em um parque ambiental, garantindo a conservação da área.


Outro alvo de polêmica, o Centrad (Centro Administrativo do Distrito Federal), será mantido no plano de socorro ao BRB. O complexo foi construído para alocar a sede do governo local, está há 12 anos sem uso e passa por um impasse jurídico.


O BRB convocou para o próximo dia 22 uma assembleia extraordinária dos acionistas para votação da proposta de aumento de capital social do banco.


Assumidamente de direita, Celina é pré-candidata ao governo na chapa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), pré-candidata ao Senado. Ao ministro da Fazenda, segundo relatos, ela demonstrou interesse em avançar na interlocução com o governo Lula. Na ligação, sinalizou que vai aderir ao subsídio do diesel importado.

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