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Política & Poder

Governadora do DF evita detalhar socorro ao BRB e fala em má vontade da gestão Lula

Celina é pré-candidata ao governo na chapa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), pré-candidata ao Senado

Luiza Melo

15/04/2026 12h01

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Foto: Evandro Macedo/ LIDE

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que pediu ajuda ao governo federal para socorrer o Banco de Brasília (BRB), mas não teve retorno. A declaração foi feita durante o 6º Brasília Summit, evento que reuniu empresários e lideranças políticas na capital federal nesta quarta-feira (14). 

De acordo com a chefe do Executivo local, até mesmo as tentativas de agendas com representantes foram negadas. “O governo federal não deu nenhuma resposta sobre nenhuma ajuda. Já pedimos tudo. Acho que não tem a boa vontade de fazer, mas tá tudo bem. A gente já pediu inclusive agendas”, lamentou. 

Em conversa com jornalistas ao final do seu discurso no evento, Celina criticou a recente decisão de assistência à outro banco e as negativas à instituição estatal. Segundo ela, a União deve auxiliar o DigiMais com R$9 bilhões, enquanto o BRB precisa de R$ 6 bilhões para se recompor. 

“É bem claro que não quer fazer nenhuma movimentação. Tem que ter uma certa institucionalidade quando você é Presidente da República. Sou uma governadora de direita, mas todas as vezes que eu tiver que conversar sobre a minha cidade, estarei pronta pra isso”, acrescentou. 

No último dia 9, a governadora se reuniu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em São Paulo. Além do presidente do BC, ela recorreu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan. No entanto, as tratativas com o ministro não foram positivas. 

Em relação às recentes auditorias internas realizadas para apurar as transações entre o banco estatal e o Banco Master, a titular do Palácio do Buriti alegou que não teve acesso aos relatórios. Segundo ela, os documentos foram entregues diretamente aos órgãos de controle para garantir a transparência necessária. 

“Nós tiramos todas as pessoas que haviam participado em cargos de chefia, não com acusações ou com pré-julgamentos, mas para dar transparência necessária”, destacou. A governadora também ressaltou a solidez do BRB. 

“O BRB tem uma história nessa cidade. E a nossa missão, neste momento, é cuidar para que ele continue com a missão de ser um banco de desenvolvimento regional”, explicou.

“Não vai quebrar”

O presidente do BRB, Nelson de Souza, também esteve presente no evento e afirmou que a instituição conseguirá sobreviver à crise financeira instaurada após as transações com o Master. 

O dirigente destacou que o período desafiador em que o banco estatal passa exige “responsabilidade e transparência”, mas que são nesses momentos onde se revelam os “verdadeiros pilares de uma instituição”. Souza ainda alegou que o banco estatal sairá do atual cenário mais “fortalecido”. 

“Para quem acreditou que o BRB iria quebrar, o BRB não vai quebrar. Vai estar cada vez mais sólido e vai ser cada vez mais a empresa ícone do povo de Brasília e região”, disse. 

De acordo com o presidente, a nova gestão tem feito um trabalho consistente com foco em eficiência operacional, melhoria de governança e disciplina: “Estamos revisando processos, fortalecendo o controle e elevando o nível de exigência de todas as decisões. É importante reconhecer que esse caminho tem sido conduzido com responsabilidade e equilíbrio pelo governo do Distrito Federal”, enfatizou.

Trocas no alto escalão 

Questionada sobre como vai lidar com as turbulências envolvendo as contas públicas do DF, a governadora afirmou que uma das alternativas adotadas é a troca de cargos no alto escalão do Buriti. Segundo ela, ainda haverão novas trocas nos próximos dias. 

A chefe do Executivo afirma que as escolhas serão feitas após análises criteriosas e as escolhas serão baseadas em critérios técnicos. “Os novos secretários [serão escolhidos] sempre com perfis técnicos. As pessoas que nós estamos trazendo são pessoas que têm experiência de gestão, mas que têm perfil técnico também”, disse. 

Celina destacou que a gestão estará focada na transparência e contingenciamento de gastos. “[Vamos] cortar qualquer tipo de desvios ou de corrupção que possa ter existido ou que existiu em algum momento. Ou seja, cortar mesmo a torneira, dar exemplo de austeridade, economizar, gastar onde que você mais precisa e trabalhar com time técnico”, finalizou. 

Até o momento, alguns secretários foram afastados oficialmente das Secretarias. A maioria deles saíram por vontade própria para concorrer às eleições no Legislativo. Novos secretários foram nomeados para as pastas de Meio Ambiente, Economia, Relações Institucionais, Educação e Família.

Novo eixo econômico 

Durante discurso na mesa de abertura do evento, a governadora do DF defendeu a mudança do eixo econômico da capital federal através da inovação tecnológica e diversificação para ganhar eficiência na gestão pública. 

“Nós não podemos mais viver somente do serviço público. Precisamos trazer economia limpa, verde, tecnologia, bioinsumos. Essa cidade tem que ser aquilo que representa inovação, tecnologia, ciência e isso traz um valor agregado que muda a economia”, afirmou. 

A ideia é transformar o DF em um “Vale do Silício”, uma nova capital da tecnologia. Segundo a governadora, Brasília tem uma “vocação” e capacidade para essa transformação. Além disso, ela afirma que essa mudança não traria déficits ao erário. 

“São alguns eixos econômicos que não dependerão de recursos do governo do Distrito Federal, mas de decisões políticas. Todos eles estão sendo desenvolvidos, vamos apresentar em momentos oportunos. Isso consegue mudar a cadeia econômica do Distrito Federal para ampliar recursos e investimentos aqui”, defendeu. 

A chefe do Buriti também anunciou que estão sendo feitas novas análises técnicas visando melhorias na mobilidade urbana. Os estudos foram produzidos no ano passado e devem ficar prontos ainda este ano. 

Um deles é para a ampliação do metrô, com a criação de uma nova estação no Gama. O outro, citado pela governadora, trata da instalação de um VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) interligando as cidades de Ceilândia e Taguatinga.  

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