RAQUEL LOPES
FOLHAPRESS
O governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), nomeou o sobrinho, o delegado da Polícia Civil Vinícius de Souza Gonçalves, para a Secretaria de Segurança Pública. Com a decisão, o país voltou a ter apenas homens no comando das pastas estaduais.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, Roraima era o único estado com uma mulher à frente da secretaria: a coronel da Polícia Militar Carla Jordanna Rodrigues, que havia assumido o cargo em janeiro de 2025.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de Roraima afirmou que a escolha do delegado seguiu critérios técnicos, levando em conta sua formação jurídica e atuação profissional na área.
Segundo a pasta, Gonçalves já chefiou o 1º Distrito Policial e acumulou experiência jurídica ao atuar por sete anos como assessor no Tribunal de Justiça de Roraima. A mudança foi publicada no Diário Oficial na quarta-feira (7).
Gonçalves é filho da secretária de Estado do Trabalho e Bem-Estar Social, Tânia Soares de Souza, que é irmã da primeira-dama do estado, Simone Denarium.
A ausência de mulheres no comando da segurança pública não se restringe aos estados e se repete no âmbito federal. Em mais de 200 anos de existência, o Ministério da Justiça foi chefiado apenas por homens.
O cargo de secretário nacional de Segurança Pública também é ocupado por um homem, Mario Sarrubbo. No passado, apenas uma mulher ocupou o mesmo posto: Regina de Luca, no governo Dilma Rousseff (PT).
Rodrigues, que ocupava a secretária de Segurança Pública de Roraima, tem 18 anos de carreira na Polícia Militar. Ingressou em 2007 como soldado e percorreu todas as patentes até chegar a coronel, a mais alta da corporação.
A secretária afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo, quando estava à frente da gestão, que a presença feminina nesse posto de liderança traz um diferencial, ao favorecer uma atuação mais humanizada no atendimento à população e uma atenção maior ao bem-estar dos policiais.
Para especialistas ouvidos pela reportagem, a presença exclusiva de homens nos cargos de comando da segurança pública traz consequências para as políticas públicas na área.
No Brasil, ainda há estados que impõem limites nos editais das polícias militares para o ingresso de mulheres, fixando percentuais máximos de participação feminina. Na prática, esses mecanismos funcionam como um teto que restringe a presença das mulheres nas corporações.
Segundo dados do Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil contava com 401.545 policiais militares em 2023, ano mais recente com informações consolidadas. Desse total, 350.186 (87,15%) eram homens e 51.656 (12,85%) eram mulheres.
Considerando o conjunto das forças de segurança (Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e órgãos oficiais de perícia), o efetivo feminino soma 93.519 mulheres. Desse total, 11.236 (10,84%) ocupavam cargos de comando em 2023.