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Política & Poder

Gilmar Mendes protagoniza sequência de embates com Mendonça em sessão do STF

Um dos pontos mais duros da sessão envolveu a decisão de Mendonça de afastar Andrei Rodrigues do comando da PF

Redação Jornal de Brasília

15/09/2026 15h18

gilmar mendes e mendonça

Foto: Rosinei Coutinho/STF

ANNA JÚLIA LOPES, LUÍSA MARTINS, RAQUEL LOPES E MARCELO AZEVEDO
FOLHAPRESS

O STF (Supremo Tribunal Federal) julga nesta terça-feira (15) se abre ou não uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, sessão marcada por forte tensão entre os integrantes da Corte. Ao longo dos trabalhos, o decano Gilmar Mendes protagonizou uma sequência de embates com o colega André Mendonça, alvo de críticas em pelo menos cinco episódios distintos.

Um dos pontos mais duros da sessão envolveu a decisão de Mendonça de afastar Andrei Rodrigues do comando da PF (Polícia Federal), medida referendada pela Segunda Turma no mesmo dia, mas sobre a qual Gilmar pediu vista.

O decano classificou o episódio de “vexame” e disse faltar noção a quem toma esse tipo de decisão.

“Qualquer cidadão que tem o mínimo de noção do que significa a PF, que é um órgão armado, submetido à hierarquia, não faria o afastamento do diretor-geral. É como afastar o diretor da Nasa, ou tirar o comandante do Exército”, afirmou.

Luiz Fux, que havia votado a favor da decisão de Mendonça, saiu em defesa da Segunda Turma e acusou a PF de desafiar um ministro da Corte.

Gilmar também levantou suspeitas sobre uma atuação irregular dentro da corporação. “Nós temos hoje uma PF paralela, com monitoramento de ministros”, disse, ao criticar o que descreveu como vigilância de integrantes do Supremo.

Outra frente de ataque foi o caso do Banco Master. Gilmar acusou Mendonça de tratar com condescendência o ministro Kassio Nunes Marques nas apurações sobre a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades.

Segundo o decano, um relatório de inteligência da PF anexado ao inquérito mostra “postura abertamente defensiva” do relator em relação a Nunes Marques, que deixou a sessão após se declarar suspeito, alegando conflito de interesse por presidir o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em ano eleitoral.

O tom mais afiado veio nas provocações de cunho religioso. Mendonça é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, e Gilmar acusou o colega de calcular o momento político para divulgar mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes.

O ministro citou a existência de um “pixuleco eleitoral”, numa referência ao boneco inflável que retratava Lula vestido de presidiário e que se tornou símbolo dos protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016, usado à época como forma de caricaturar e ridicularizar adversários políticos.

“Em nome de Deus já se fez muita patifaria”, disse Gilmar. Ele completou dizendo que “o sujeito tem que se algemar antes de fazer esse tipo de coisa” e que submeter a PF a esse tipo de decisão é “falta de noção que eu jamais vi”.

A troca mais direta, porém, aconteceu quando Gilmar disse que “até as pedras sabem que há um viés político eleitoral” nas decisões de Mendonça. O colega rebateu, pediu respeito e chamou o decano de “leviano”, ao que Gilmar respondeu: “Quem não se dá respeito não merece respeito”.

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