Francisco Dutra
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O nome Marcos está próximo de ocupar a futura Secretaria de Cidades do governo Rollemberg. Até a noite de ontem, os dois personagens mais cotados dentro do Palácio do Buriti para assumir a pasta eram o secretário de Mobilidade, Marcos Dantas e o administrador de Brasília, Marcos Pacco (foto). O subsecretário de Relações Institucionais, Igor Tokarski, ainda estava no páreo pelo posto, mas tinha menos força nas articulações para a ocupação do novo espaço.
Nos bastidores, Dantas é o nome favorito do governador para a secretaria. A princípio, politicamente, Rollemberg desenhou a pasta para acomodar o PSB dentro do governo. Além de ter destaque da legenda, Dantas não é um candidato declarado às próximas eleições.
A secretaria coordenará as administrações regionais, que tradicionalmente são áreas de influência dos deputados distritais. Portanto, um secretário com planos de disputar as urnas seria um rival em potencial.
Preocupação
O que pesa contra a ida de Dantas (foto) para a pasta é o futuro da secretaria de Mobilidade. Rollemberg ainda não equacionou como a pasta seguiria com os projetos em um cenário sem o atual secretário. Na busca por uma agenda positiva e no cumprimento de uma promessa de campanha, o governador decidiu instalar o bilhete único no sistema de transporte público do DF este ano. Um atraso teria consequências políticas desastrosas para o Buriti, que já está com a imagem fragilizada.
Por outro lado, Marcos Pacco poderia ser deslocado. Seu nome ganhou potência dentro do PSB. Extraoficialmente, comenta-se que quando ele perdeu a Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social, na reforma administrativa de 2015, recebeu a promessa do núcleo do Buriti de que ganharia um posto de destaque em 2016.
Mas o jogo não é totalmente favorável para Pacco. Em primeiro lugar, ele foi candidato nas últimas eleições e é um nome potencial para 2018. Em segundo lugar, Rollemberg não estaria plenamente convencido de que ele seria o mais indicado para a pasta. Em um evento recente, o governador teria evitado conversar e aparecer em fotos com Pacco. Ironicamente, Dantas também estava presente. E com ele, Rollemberg foi só sorrisos.
Mais votado
A princípio, Igor Tokarski seria o novo secretário de Cidades. E neste cenário, José Flávio ocuparia, automaticamente, a subsecretaria de Relações Institucionais. Essa saída não é bem vista apenas pelo grupo político de Marcos Pacco (foto). Um dos argumentos foi a votação de ambos em 2014. Tokarski saiu das eleições com 7 mil votos e Pacco, com 27 mil.
Indicação para Justiça deve ser de Sandra Faraj
Ao bater o martelo pela secretaria das Cidades, Rollemberg também deverá anunciar o novo titular da secretaria de Justiça. A pasta está sendo ocupada interinamente por Guilherme Rocha Abreu, próximo ao chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio. Mas o governador está negociando um nome com o grupo político da deputada Sandra Faraj (SD). Os dois lados já se reuniram algumas vezes e as conversas estão avançadas.
O movimento de Rollemberg está mirando na base eleitoral de Faraj, enraizada em uma comunidade religiosa do DF. No ambiente político brasiliense, o eleitorado religioso ganha cada vez mais importância, sendo necessário para a governabilidade e também para a construção de chapas proporcionais e majoritárias competitivas.
Mais mudanças
Outras definições importantes para o Buriti serão os titulares da subsecretaria de Relações Institucionais e da chefia de gabinete do governador. Neste caso, Rollemberg está avaliando as possibilidades de Igor Tokarski e do assessor especial José Flávio. Do ponto de vista do governador, os dois reúnem condições para desempenhar as duas funções. Especialmente, considerando que o novo chefe de gabinete passará por uma mudança de função. Ele terá atuação focada na política.
O governador também avalia a mudança de alguns administradores regionais. Rollemberg está prevendo as mudança para conseguir um base confiável na Câmara Legislativa, e assim conseguir a aprovação das pautas de seu interesse no plenário.
Precisa dar bons resultados
1 – Quem assumir a Secretaria das Cidades não encontrará céu de brigadeiro e terá que arregaçar as mangas. O núcleo governista considera que o novo secretário terá de visitar diariamente duas ou três regiões administrativas e terá que manter contato constante com todos os administradores. Pois se a pasta não render resultados em curto prazo será alvo de críticas da população e, principalmente, da oposição.
2 – Nos bastidores do Buriti, o PSD e o grupo do vice-governador Renato Santana não estariam gostando nada da criação da nova pasta. Afinal, a secretaria tomará um espaço privilegiado que até então estava sob os cuidados de Santana.