Raphael Di Cunto
Folhapress
As frentes parlamentares evangélica e católica criticaram o desfile em homenagem ao presidente Lula (PT) pelas sátiras a famílias evangélicas e anunciaram o pedido de medidas judiciais contra a escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro.
O incômodo ocorreu pela ala “neoconservadores em conserva”, que retratava famílias de grupos identificados com a direita (evangélicos e representantes do agronegócio), como famílias dentro de latas de conserva.
A Frente Parlamentar Evangélica divulgou nota de repúdio à “conduta desrespeitosa e afrontosa” da escola no Carnaval. “É inadmissível que o direito à manifestação cultural seja distorcido para promover escárnio contra a fé cristã e o deboche aberto aos valores conservadores que sustentam nossa sociedade”, diz o texto.
O deputado Gilberto Nascimento (PSD-SP), presidente da frente, afirmou que acionará a PGR (Procuradoria-Geral da República) e o Poder Judiciário para responsabilização criminal e cível dos envolvidos. “O que vimos foi uma afronta, lamentavelmente financiada com dinheiro público, pelos nossos impostos”, afirma.
A escola de samba recebeu R$ 1 milhão da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), mesmo valor entregue pela estatal às demais escolas do grupo principal do Carnaval do Rio.
O presidente da Frente Parlamentar Católica, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), disse que exigirá providências e a atuação dos órgãos competentes para a devida apuração dos fatos e eventual responsabilização.
“A fé cristã integra a identidade histórica e social do Brasil e inspira valores que estruturam milhões de famílias brasileiras. Representações que possam ser interpretadas como desqualificação ou ridicularização dessas convicções não contribuem para o ambiente de respeito que a democracia exige”, afirmou em nota.