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Política & Poder

Flávio e Lula entram em nova corrida por votos após 1º turno acirrado

Finalistas terão três semanas para conquistar eleitores de candidatos derrotados e reduzir a abstenção recorde registrada na primeira etapa

João Victor Rodrigues

05/10/2026 6h14

Foto: Evaristo Sá/AFP

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciam a disputa do segundo turno com uma diferença de pouco mais de 2 milhões de votos entre eles. Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio terminou a primeira etapa com 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03%, enquanto Lula recebeu 53.876.617, ou 45,16%. Os demais dez candidatos somaram mais de 9,3 milhões de votos, cerca de 7,81% do total. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.

A votação dos candidatos eliminados passa a ser um dos principais pontos da nova fase da campanha. Augusto Cury (Avante), terceiro colocado com 3,44 milhões de votos, afirmou após o resultado que não pretende declarar apoio a nenhum dos finalistas por enquanto. Renan Santos (Missão), que terminou em quarto com 2,67 milhões, também havia afirmado durante a campanha que não votaria em Flávio ou Lula em um eventual segundo turno. Já Ronaldo Caiado (PSD), quinto colocado com 2,60 milhões de votos, disse que conversará com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, antes de definir sua posição.

Além dos votos dos adversários derrotados, as campanhas terão de buscar os eleitores que não compareceram às urnas. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 33 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno, o equivalente a 21,08% do eleitorado. A taxa é a maior registrada desde 1998, quando Fernando Henrique Cardoso foi reeleito presidente. O número de ausentes representa cerca de 15 vezes a diferença entre Flávio e Lula na primeira etapa.

A distância entre os dois finalistas é semelhante à registrada no segundo turno de 2022, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro por 2.139.645 votos. Naquela ocasião, Simone Tebet declarou apoio ao petista, enquanto o PDT, partido de Ciro Gomes, também aderiu à candidatura de Lula; Bolsonaro recebeu manifestações de apoio de governadores e lideranças da direita. Agora, os dois candidatos terão três semanas para ampliar suas alianças e disputar o eleitorado que ficou fora da decisão inicial. Após o resultado, Lula afirmou que uma nova campanha começa no segundo turno, enquanto Flávio classificou a primeira colocação como o início do “fim da era do PT”.

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