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Política & Poder

Flávio Bolsonaro se impõe contra Lula, impulsionado por onda conservadora

Senador obtém 47,03% dos votos, vence nos maiores colégios eleitorais e conta com avanço da direita no Congresso

Redação Jornal de Brasília

05/10/2026 14h20

brazil election campaign

Foto: PABLO PORCIUNCULA / AFP

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega em posição de força ao segundo turno, em 25 de outubro, impulsionado por uma onda conservadora contra a qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de lutar para tentar uma virada.

O senador, de 45 anos, obteve 47,03% dos votos no primeiro turno, no domingo, contra 45,16% de Lula, a quem as pesquisas davam uma pequena vantagem até a véspera da votação.

Ele somou 56 milhões de votos, mais do que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no primeiro turno de 2018, que venceu (49 milhões), e de 2022, que perdeu para Lula (51 milhões).

O avanço da direita, cujo líder cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, também se reflete no Congresso.

O Partido Liberal dos Bolsonaro quase dobrou suas cadeiras no Senado e avançou com força na Câmara dos Deputados, com figuras como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e outros dois filhos de Jair Bolsonaro.

Flávio venceu ainda nos maiores colégios eleitorais do país, isto é, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Pouco conhecido em nível nacional há alguns meses, o senador se define como “mais moderado” do que o pai, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado contra Lula. No entanto, faz questão de lembrar que o político de extrema direita é sua “bússola”.

– “Mudança” –

“Está decretado o fim da era do PT, a mudança no nosso país”, afirmou um triunfante Flávio Bolsonaro no domingo, em Brasília. Essa formação tem governado o Brasil desde 2003, exceto durante o mandato de seu pai (2019-2022).

Durante a campanha, Flávio prometeu combater o alto preço da carne e de outros produtos, além de adotar linha dura contra a insegurança desenfreada. Além disso, antecipou um ajuste fiscal para conter o aumento da dívida pública registrado durante o terceiro mandato de Lula.

A Bolsa de São Paulo operava em forte alta nesta segunda-feira, um claro sinal de apoio dos mercados.

Lula concentrou sua campanha na defesa da soberania diante da pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e em recordar o legado de seus três governos, com uma longa lista de programas sociais.

Durante seu terceiro mandato, a inflação se manteve sob controle e o desemprego caiu, mas os brasileiros reclamam do custo de vida e estão cansados da criminalidade.

“Os brasileiros estão preocupados com coisas concretas como preços do supermercado, medo de serem assaltados e dívidas no cartão de crédito, e não em conceitos abstratos como soberania ou a importância de Lula na história”, disse à AFP o analista político Thomas Traumann.

– Votos brancos e abstenção –

Lula, de 80 anos e em busca de um quarto mandato, admitiu que o resultado foi “inesperado”.”Estamos na prorrogação. Na prorrogação nós vamos convencer o povo brasileiro”, disse em São Paulo.

“Lula ainda tem chances”, disse à AFP a doutora em Ciência Política pelo IESP/UERJ e pesquisadora no INCT/SANI/CNPq, Carolina Botelho, apesar de os candidatos menores, que somaram quase 8%, serem todos de direita.

Segundo a analista da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, o esquerdista vai buscar quem votou em branco ou nulo e quem não compareceu às urnas. A abstenção girou em torno de 21%.

Relembrou, no entanto, que desde o retorno da democracia quem sai em vantagem no primeiro turno de uma eleição presidencial no Brasil vence o segundo.

– Apoios externos –

A vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula se inscreve em um fenômeno global de crescimento da direita, que vem vencendo diversas eleições na América Latina sob a influência de Trump.

O presidente argentino, Javier Milei, parabenizou no X o senador por sua vantagem sobre o “comunista” Lula.

“Hoje meu coração está com o Brasil; que Deus tenha piedade do país irmão, como teve da Colômbia. A verdadeira mudança é derrotar a esquerda”, escreveu o colombiano Abelardo de la Espriella.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, desejou a Flávio uma “grande vitória” no segundo turno.

Trump, que impôs tarifas e sanções ao Brasil após a condenação de Jair Bolsonaro, não apoiou explicitamente seu filho, mas afirmou acompanhar “muito de perto” as eleições.

Em uma mensagem na sua rede Truth Social, ele comparou a rápida apuração do voto eletrônico no Brasil com a contagem em distritos eleitorais dos Estados Unidos, muito lenta a seu ver. Não mencionou nem Flávio nem Lula.

Seu secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que “todos” esperavam que Flávio superasse Lula no primeiro turno. “Veremos como a situação se desenvolve”, acrescentou, cauteloso.

AFP

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