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Política & Poder

Filho de Lira, eleito antes da idade em lei, fez campanha no rastro da projeção do pai

Alvinho Lira completará 21 anos no dia 17 de março de 2027, 39 dias após a posse

Redação Jornal de Brasília

10/10/2026 11h43

alvinho e arthur lira

Foto: Divulgação/PP

YURI EIRAS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

Álvaro Lins Pereira de Lira (PP-AL), o Alvinho Lira, 20, filho do deputado federal e senador eleito Arthur Lira (PP-AL), será o deputado mais novo da história do Brasil, ajudado por uma lei sancionada no ano passado pelo presidente Lula (PT).

A Constituição de 1988 define que a idade mínima para o cargo de deputado federal é de 21 anos. Mas um projeto de lei proposto pelo senador Romário (PL-RJ), aprovado na Câmara dos Deputados e sancionado pelo governo federal há um ano mudou o entendimento de qual a data vale para contar a idade do candidato.

Até a lei, o candidato deveria ter 21 anos na data da posse, geralmente no primeiro dia útil de fevereiro. A nova lei adota o entendimento de posse presumida, e passa a considerar um prazo de 90 dias a partir da eleição da Mesa Diretora, que também ocorre no primeiro dia de fevereiro.

Alvinho Lira completará 21 anos no dia 17 de março de 2027, 39 dias após a posse.

Antes dele, o deputado eleito mais jovem havia sido Hugo Motta (Republicanos-PB), que tinha 21 anos quando foi eleito em 2010, outro herdeiro de uma dinastia política, esta na Paraíba.

Para deputados que participaram da votação da Câmara, a lei tinha aparente objetivo de beneficiar o filho do ex-presidente da Casa. O projeto foi batizado, à boca pequena, de “Lei Alvinho”. Àquela altura a família Lira já tinha o plano de tornar candidato o filho mais novo.

Arthur Lira tinha 23 anos quando foi eleito vereador em Maceió. A eleição para deputado só chegou em 2010, quando já tinha 41 anos. No domingo (4), foi eleito senador.

Com 172.628 votos, Alvinho foi o deputado mais votado de Alagoas. A campanha mencionou a trajetória do pai, mas se fiou na do avô, o ex-senador Benedito de Lira (1942-2025).

Biu, como é conhecido, morreu no cargo de prefeito de Barra do São Miguel (região metropolitana de Maceió), onde Alvinho teve o primeiro emprego formal na política. Alvinho foi gestor administrativo da prefeitura, com um salário mensal de R$ 8.000, R$ 4.000 a menos do que ganha o prefeito Henrique Alves Pinto (PP), ex-vice de Biu.

Foi a Biu de Lira que Alvinho agradeceu publicamente após a eleição, em um vídeo feito por inteligência artificial em que o avô demonstra orgulho pelo neto. “Essa foi por nós”, escreveu Alvinho.

A reportagem pediu entrevista com Alvinho e Arthur Lira por meio de assessores dos candidatos e do Progressistas, entre quarta (7) e sexta-feira (10), mas eles afirmaram que pai e filho não se manifestariam.

O único posicionamento ocorreu por nota conjunta enviada à reportagem.

“A histórica vitória conferida pelo povo alagoano amplia o compromisso de ambos com o trabalho, com a presença nos municípios e com as entregas que Alagoas espera”, diz a nota.

“Arthur Lira e Alvinho receberam o resultado das urnas com humildade e enorme senso de responsabilidade.”

Participante de vaquejadas, Alvinho toca com o pai a marca Agropecuária Lira, marca de leilões de gado.

O plantel inclui a Nelore Lira, raça de gado batizada com o sobrenome da família.

A campanha do jovem deputado eleito explorou o alcance da família sobre os rincões de Alagoas, e a proximidade dos Lira com os prefeitos locais. Em um dos vídeos, Alvinho diz conhecer o agreste, o litoral e as grotas de Maceió, região habitada pela população de baixa renda da capital.

Membros do PP alagoano e observadores da política local afirmam que “jogar parado” foi o suficiente para fazer Alvinho conquistar uma cadeira na Câmara. Segundo eles, Alvinho fez campanha protocolar, com alguma dificuldade diante das câmeras, mas desenvolto no contato com a população.

Foi uma eleição em que a família Lira varreu o principal clã adversário, dos Calheiros. Na disputa entre os protagonistas locais, Arthur Lira e Marina de JHC (PSDB) foram eleitos senadores, deixando de fora Renan Calheiros (MDB).

Trata-se de derrota no estado. Calheiros é senador desde 1995 e está no quarto mandato seguido, que termina no próximo ano.

João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), foi eleito governador em primeiro turno, derrotando Renan Filho (MDB), filho de Calheiros. Renan Filho segue senador até 2031.

A família Lira ainda vive fissura interna desde processo contra Arthur, após denúncia feita pela ex-mulher, Jullyene Lins, em 2012, por suspeita de ameaça e lesão corporal no âmbito de violência doméstica.

A acusação foi recebida pela corte, mas o caso foi arquivado, considerado prescrito e improcedente.

O ministro Teori Zavascki entendeu à época que, além da prescrição [o suposto caso teria ocorrido em 2007], a vítima, quando ouvida em juízo, mudou a versão dos fatos.

Em 2023, os filhos de Arthur foram à Justiça contra a mãe para terem direito a um imóvel que havia sido repassado durante a divisão do divórcio. Jullyene se separou de Lira no ano em que Alvinho nasceu.

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