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Política & Poder

FIB Bank tem ‘movimentação financeira incompatível com o faturamento’

Relatório da Coaf questiona ainda uma sócia da FIB Bank, a empresa MB Guassu. Entre os sócios da MB, estão dois homens que já morreram

Redação Jornal de Brasília

31/08/2021 7h24

Foto: Pedro França/Agência Senado

A empresa FIB Bank, que ofereceu carta de fiança à Precisa Medicamentos para fechar o contrato de venda da vacina Covaxin ao Ministério da Saúde, tem “movimentação financeira atípica com o faturamento declarado”. É o que aponta um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O FIB Bank deu a carta-fiança apresentada pela Precisa ao Ministério da Saúde para cumprir uma das etapas da negociação da vacina. O documento afiançava o valor de R$ 80,7 milhões, equivalente a 5% do R$ 1,6 bilhão do contrato. A Precisa pagou R$ 350 mil pela carta. A informação é do jornal O Globo.

No entanto, a FIB Bank não tem autorização do Banco Central para oferecer esse tipo de garantia. O relatório do Coaf aponta que a empresa tem “recebimentos de créditos com o imediato débito dos valores, com indícios de burla de bloqueio judicial”. Isto é, assim que cai dinheiro na conta da FIB Bank, alguém retira para fugir de fiscalizações.

O relatório também questiona a composição de uma sócia da FIB Bank, a empresa MB Guassu. Entre os sócios da MB, estão dois homens que já morreram. “Não parece lógico uma empresa deste porte, com R$ 7,2 bilhões de capital integralizado no FIB Bank, possuir no quadro societário um representante comercial e um falecido há quase 3 anos. Tem mais de R$ 10 milhões mencionados na Ata do Estatuto do FIB Bank que não tem o acionista pertinente. Por outro lado, o capital integralizado registrado na Receita Federal não inclui esses R$ 10 milhões”, aponta o documento.

O presidente da FIB Bank, Roberto Ramos Júnior, já foi ouvido pela CPI da Pandemia para esclarecer a relação com a Precisa e as movimentações atípicas. Entre desvios e respostas em silêncio, Ramos Júnior entregou poucas informações aos senadores, que, agora, consideram importante ouvir o empresário Marcos Tolentino. Para os parlamentares, Tolentino é o verdadeiro chefe da FIB.

Tolentino é amigo do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), que também é alvo da CPI. Ele nega ser sócio da empresa. Procurado, o FIB Bank não se manifestou.

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