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FHC sai em defesa de Doria em meio à crise no PSDB

Em mensagem postada em uma rede social, FHC ainda afirmou que as decisões tomadas em prévias partidárias devem ser obedecidas

Por FolhaPress 15/05/2022 4h22
Foto: Agência Brasil

Bruno B. Soraggi
São Paulo

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) manifestou apoio à pré-candidatura de João Doria em meio à crise e à troca de acusações entre tucanos para a definição da posição do partido na disputa ao Planalto.

Em mensagem postada em uma rede social, FHC ainda afirmou que as decisões tomadas em prévias partidárias devem ser obedecidas.

“Agiu bem o candidato João Doria. Ressaltando que o resultado das prévias deve ser respeitado”, escreveu. O ex-governador paulista enviou uma carta à direção nacional do PSDB no sábado (14), na qual chama de “golpe” a movimentação interna da legenda para tirar o seu nome da disputa eleitoral à Presidência da República. Doria foi escolhido como postulante ao cargo em prévias realizadas no fim de 2021.

A manifestação dele vem na esteira da fala do correligionário e deputado federal Aécio Neves, um dos principais nomes da agremiação. Em entrevista à Folha, Aécio teceu duras críticas à conduta do presidente do partido, o ex-deputado Bruno Araújo (PE), no processo de construção da candidatura tucana ao Palácio do Planalto.

O parlamentar acusa Araújo de tirar protagonismo da sigla e argumenta que ele trabalha para que João Doria (SP), vencedor das prévias na legenda, não seja candidato à Presidência. Para Aécio, Araújo atua mais como “advogado” do governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, que busca a reeleição, do que como líder nacional do PSDB.

Segundo ele, o caminho para rifar Doria seria um acerto pelo qual o PSDB apoiaria a candidatura de Simone Tebet (MDB-MS) à Presidência. Aécio refuta esse acordo. “O Doria sempre foi o bode que precisava ser retirado da sala para viabilizar a candidatura de Rodrigo Garcia”, afirma ele.

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Aliados de Garcia, porém, refutam a acusação feita pelo mineiro. “Não existe qualquer movimento do Rodrigo [Garcia] para barrar a candidatura do ex-governador. O que houve, sim, foi, nas prévias, uma tentativa de Aécio de derrotar o Doria. Perdeu, e agora quer colocar mais gasolina na fogueira”, afirma o deputado estadual Vinícius Camarinha, líder do governo estadual na Assembleia Legislativa de SP.

Aécio era favorável à candidatura presidencial tucana do ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite. “Penso que o Aécio, lá de Minas Gerais, portanto à distância, não tem conhecimento do que acontece de fato em São Paulo. A filiação do governador Rodrigo foi feita a convite do governador Doria”, afirma ele.

Em resposta à manifestação de Doria, Araújo convocou uma reunião do PSDB para terça-feira (17) a fim de “dar conhecimento à Executiva Nacional da carta” e cita as alegações expostas pelo ex-governador na missiva.

Caso o PSDB opte por trocar de candidato, Doria não descarta judicializar a questão, já que o entendimento em seu entorno é que após a convocação das prévias o partido tem obrigação de seguir o resultado.

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Segundo a carta enviada pelo ex-governador paulista, as desculpas para a tentativa de se trocar o candidato do PSDB na disputa presidencial deste ano são as “mais estapafúrdias, por exemplo, a de que estaríamos mal colocados nas pesquisas de opinião e com altos índices de rejeição”.

Ele ainda disse que pesquisa de opinião não pode ser ‘guia único’ para definir os destinos do partido. Na carta de convocação da reunião, Araújo responde que todas as negociações para uma candidatura única foram levadas em consideração “com notória anuência do ex-governador de São Paulo, pré-candidato do PSDB à Presidência, e com o aval da Executiva Nacional do Partido e das bancadas no Congresso Nacional”.








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