PHILLIPPE WATANABE
BOGOTÁ, COLÔMBIA (FOLHAPRESS)
O presidente Lula (PT) aproximou a ideia de petróleo à de preservação ambiental, durante seu discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (22). Falou também sobre a pesquisa de potencial de novas reservas, na margem equatorial, do principal combustível fóssil responsável.
A continuidade da exploração de petróleo vai na contramão da possibilidade de frear a crise climática pela qual passa a humanidade.
Na fatia de seu discurso em que falava sobre meio ambiente e redução de emissões de gases-estufa, Lula disse: “Conquistamos nossa autossuficiência em petróleo e seguiremos pesquisando o potencial de novas reservas, como a da margem equatorial. Não renunciaremos à agenda ambiental.”
A possibilidade de pesquisa e potencial exploração de petróleo na mencionada margem equatorial atravessou todo o governo Lula tendo início já antes do governo atual.
Por se tratar de uma área ambientalmente sensível, pesquisadores e ambientalistas se preocupam com a possibilidade de atividade petroleira na região, que foi alvo de um conturbado processo de licenciamento ambiental.
A ideia de exploração na região tem apoio de Lula, como demonstrado no discurso.
“O Brasil vem demonstrando que é possível aliar desenvolvimento econômico com redução de emissões”, disse o presidente brasileiro, em seu discurso.
Outro ponto de destaque na fala de Lula na ONU, no recorte ambiental, foi a menção ao chamado Mapa do Caminho. Trata-se, em linhas gerais, de um plano para indicar como as nações podem transitar para o fim dos combustíveis fósseis, encerrando a dependência a eles.
O mapa foi prometido após a COP30, que ocorreu no ano passado, no Brasil, após um final tenso do encontro devido à ausência de menção a combustíveis fósseis do texto final da conferência climática.
Lula também mencionou a expressiva redução no desmatamento que ocorreu sob seu governo, com Marina Silva agora candidata ao Senado, por São Paulo à frente do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
“A floresta vale mais em pé do que destruída”, afirmou Lula no discurso, citando também o TFFF (Fundo Floresta Tropical para Sempre). “Continuaremos reduzindo o desmatamento.”
O presidente brasileiro também afirmou que o Brasil tem autoridade moral para rejeitar o que chamou de “medidas protecionistas disfarçadas de apego à causa ambiental”.
Neste ano, os EUA impuseram taxas ao Brasil e citaram o desmatamento como uma das motivações.
Por fim, o tema de minerais críticos e terras raras também fez parte da fatia ambiental do discurso de Lula.
“O Brasil é referencia mundial em energia verde. Temos os minerais críticos e as terras raras que o mundo precisa para realizar a transição energética”
Lula, porém, disse que os recursos naturais pertencem ao povo brasileiro e que serão exploradas em benefício dele.
“O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais”, afirmou Lula.