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Política & Poder

Fachin marca reunião com PF e diz que menções a ministros no caso Master devem ser apuradas ‘sem exceção’

Ministro afirma que não houve demora para marcar a audiência e atribuiu a definição da data a dificuldades de agenda

Redação Jornal de Brasília

02/10/2026 18h22

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Foto: Antonio Augusto / STF

CONSTANÇA REZENDE
FOLHAPRESS

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, informou nesta sexta-feira (2), em nota, que irá se encontrar com representantes da Polícia Federal, na segunda semana de outubro, para tratar das menções a ministros da corte encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Em ofício enviado à PF, também nesta sexta, ele disse que comunicados enviados ao Supremo dessa natureza, apresentados integralmente, sem exceção de pessoa, terão “os encaminhamentos devidos”.

“A circunstância merece registro, sobretudo porque há inequívoco interesse institucional em que todo e qualquer fato relevante seja rigorosamente apurado, sem exceção de qualquer natureza”, disse.

Segundo o presidente do STF, a solicitação de audiência da PF para tratar do assunto foi feita na manhã de quinta-feira (1º) “e prontamente atendida”. Ele também negou que tenha havido demora para marcar a data, afirmando que não foi designado um dia anterior devido a “dificuldades mútuas de agenda”.

A PF espera, com o encontro, saber o que faz com os achados: se investiga as relações dos magistrados com Vorcaro, se produz relatórios detalhando o conteúdo das mensagens ou se as ignora.

Fachin também afirmou que se almeja que a apuração se desenvolva com estrita observância das normas constitucionais e processuais aplicáveis, preservando-se, de um lado, a autonomia das instituições responsáveis pela investigação e pela persecução penal e, de outro, as competências do STF.

“Reitero que o nosso propósito é assegurar que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos, sem qualquer exceção de fato ou de pessoa, com observância rigorosa do devido processo legal, da competência dos órgãos constitucionalmente incumbidos da investigação e da persecução penal e das garantias próprias da jurisdição”, disse.

Uma das menções encontradas indica que o dono do Master mantinha contato com uma pessoa apontada como sendo o ministro Alexandre de Moraes. As mensagens vieram à tona depois que o ministro André Mendonça pediu manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre um relatório enviado pela PF ao STF.

Os diálogos recuperados do celular do banqueiro apontam que ele teria perguntado a Moraes, dois dias antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025, se deveria deixar o país.

Mostram ainda que o ministro teria feito edições num contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e que os dois se encontraram pelo menos seis vezes desde 2024.

Já Mendonça recebeu Vorcaro para uma conversa em março de 2025. A aproximação foi articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Mensagens extraídas do celular do dono do Master mostram que ele recebeu de Ciro uma fotografia ao lado do ministro.

Em nota, Mendonça afirmou que o encontro tratou de um processo sobre precatórios de interesse do
Master e que votou contra o empresário no julgamento.

Outros diálogos indicam que o empresário Francisco Feitosa, conhecido como Chiquinho e ex-cunhado de Gilmar Mendes, foi contratado em 2024 pelo ex-banqueiro e tratou de interesses do dono do Banco Master relacionados a universidades privadas.

As conversas entre Vorcaro e um número de telefone atribuído a Chiquinho se deram ao menos de abril de 2024 a junho de 2025, período em que Gilmar relatava ações no Supremo sobre a abertura de novos cursos de medicina. O telefone do ex-banqueiro foi apreendido em investigação pela PF.

Questionado sobre os diálogos, Gilmar afirmou, por meio de sua assessoria, que nunca tratou de nenhuma pauta relacionada ao MEC com o ex-banqueiro ou Chiquinho e que votou a favor do governo, não das universidades, na ação sobre os novos cursos.

As investigações também mostraram que Vorcaro tinha um contrato que previa honorários de até R$ 427 milhões com o escritório da advogada Camilla Ramos, apontada ao lado do marido, o juiz federal Newton Ramos, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), como integrante da chamada “Turma do KN”.

Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro mostraram ainda tratativas de pessoas ligadas a ele com Newton envolvendo hospedagens e acesso a eventos. Em uma das conversas, uma solicitação de diária no hotel Fasano é atribuída pelo juiz federal ao ministro Kassio Nunes Marques.

Kassio nega ter pedido qualquer coisa a Vorcaro, trocado mensagens com ele ou autorizado terceiros a falar em seu nome.

A Polícia Federal também suspeita que o ministro Dias Toffoli seria proprietário ou beneficiário final do fundo de investimento Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro.

O fundo Arleen comprou uma parte das cotas da Maridt -empresa de José Eugenio e José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro, e da qual o magistrado admitiu fazer parte do quadro societário, como a Folha de S.Paulo revelou- no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).

Mensagens obtidas pela PF no celular de Vorcaro mostram diálogos que o ex-banqueiro teria tido com seus operadores financeiro, o cunhado Fabiano Zettel, e político, Fábio Faria, ex-ministro das
Comunicações do governo Jair Bolsonaro, ao saber de atrasos nas transferências para o fundo Arleen.

Há também uma mensagem endereçada a Toffoli que, no contexto, é avaliada pela PF como tentativa de justificar os atrasos ao magistrado. “Oi, tudo bem? Gostaria de te ver rapidamente, você teria algum horário hoje?”, escreveu Vorcaro após avisar a Faria que conversaria com Toffoli. Não há indicação de resposta do ministro no documento da PF.

Em nota, o gabinete de Toffoli afirmou que o ministro “jamais teve relação de amizade ou intimidade com Daniel Vorcaro”.

Outras mensagens do celular de Vorcaro indicam que ele usou duas empresas para custear, em maio de 2024, uma viagem de Luiz Fux a Nova York e um almoço em homenagem ao ministro.

As conversas apontam que o dono do Master deu orientações a uma funcionária para a compra das passagens e hospedagens de Fux e da esposa do ministro, Eliane Fux, pedindo que as despesas fossem feitas por meio de Antonio Camarotti, CEO e publisher da revista Forbes no Brasil.

Fux afirmou, em nota enviada pela assessoria de imprensa do STF, que nunca trocou mensagens com Vorcaro e que “nunca foi convidado por ele para eventos”. O ministro disse que foi “convidado diretamente pela Forbes” e que “proferiu palestra em evento da revista, em maio de 2024, sobre segurança jurídica e o risco Brasil”. Também afirmou que não teve contato com Vorcaro durante o almoço.

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