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Política & Poder

Fachin aposta em meio termo para pacificar STF, mas divergências devem ser expostas no plenário

Em caráter reservado, uma parte dos ministros do tribunal afirmou que só soube da nota depois da divulgação.

Redação Jornal de Brasília

23/01/2026 13h53

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Foto: Fellipe Sampaio / STF

A nota que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, divulgou na quinta-feira, 22, teve como objetivo pacificar a Corte e tentar amenizar o clima tenso instalado entre o tribunal e outras instituições a partir das investigações sobre o Banco Master.

Em caráter reservado, uma parte dos ministros do tribunal afirmou que só soube da nota depois da divulgação. O texto é fruto das conversas de Fachin com os colegas nas últimas semanas

O presidente tentou agradar tanto quem considera inapropriada a conduta de Dias Toffoli na condução das investigações, como a ala do tribunal que enxerga uma tentativa de intimidação à Corte com a divulgação de reportagens sobre a participação de familiares de Toffoli e Alexandre de Moraes no caso Master.

Apesar de ter ressaltado que “o STF não se curva a ameaças ou intimidações”, Fachin fez um alerta: “eventuais vícios ou irregularidades alegados serão examinados nos termos regimentais e processuais”. E acrescentou que “todos se submetem à lei, inclusive a própria Corte Constitucional”.

Fachin analisou nos últimos dias uma forma de defender Toffoli e Moraes de acusações sem deixar de lado o projeto de um código de conduta para o Supremo. O apoio aos colegas leva em conta que, quando um ministro sofre ataque, o tribunal inteiro se fragiliza perante a opinião pública. Portanto, sair em defesa de um colega seria uma forma de tentar blindar o tribunal dos ataques recentes.

“Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito”, escreveu Fachin.

Na nota, o presidente fez ponderações que indicam que a Corte não deve se descolar da polêmica em torno do Banco Master tão cedo. Fachin lembrou que decisões tomadas durante o plantão “serão, oportunamente, submetidas à deliberação colegiada”.

Portanto, a partir de fevereiro, quando o Supremo retomar suas atividades, o plenário poderá analisar decisões tomadas por Moraes e Toffoli durante o recesso. Em caráter reservado, ministros ouvidos pelo Estadão têm dúvida se todas as decisões de Toffoli no processo sobre o Master seriam validadas pela maioria.

A nota de Fachin também demonstra preocupação não apenas com a paz interna, mas com a boa relação do tribunal com outras instituições. Ele mencionou as atribuições do Banco Central, da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Na tramitação do caso Master, houve mal-estar entre o Supremo e as três entidades.

Primeiro, Toffoli convocou um diretor do Banco Central para prestar depoimento junto com suspeitos de terem cometido crimes. Durante a sessão, enviou perguntas para a delegada da PF fazer aos investigados. Também determinou que bens apreendidos pelos investigadores fossem transferidos para o STF, em vez de ficar em posse da polícia. Acabou recuando.

Por fim, Moraes abriu investigação contra o Coaf e a Receita Federal para apurar suposto vazamento de dados de ministros do Supremo. A PGR não foi ouvida previamente sobre isso, como costuma acontecer.

Fachin só se manifestou sobre o caso Master mais de um mês depois da chegada das investigações ao STF. Preferiu ponderar antes de reagir às críticas, com o cuidado de não arranhar ainda mais a imagem do Supremo. “Quem almeja substituir a ousada pedagogia da prudência pelo irresponsável primitivismo da pancada errou de endereço”, anotou.

Estadão Conteúdo.

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