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Fábio Faria é convidado a explicar na Câmara vinda de Elon Musk ao Brasil

No Brasil, os preços seguem a cotação do dólar e são acrescentados de impostos de importação. O equipamento custa R$ 3.365

Por FolhaPress 25/05/2022 1h59

Mônica Bergamo
São Paulo, SP

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, será convidado pela Câmara dos Deputados a dar explicações sobre a vinda de Elon Musk ao Brasil e sobre a parceria fechada entre o governo federal e o bilionário. A conversa deve ser marcada para 8 de junho.

O convite ao chefe da pasta ocorre após um requerimento de convocação ser apresentado pela bancada do PSOL junto à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Casa.

Na semana passada, Elon Musk participou do evento “Conecta Amazônia” e promoveu o lançamento do serviço de internet por satélite Starlink no país. Ele estava acompanhado do presidente Jair Bolsonaro (PL), de membros do governo e de empresários.

Pelo Twitter, Musk disse que a iniciativa vai fornecer conexão para 19 mil escolas em áreas rurais no Brasil e auxiliar no monitoramento da Amazônia. Na ocasião, o Ministério das Comunicações afirmou que a implementação do programa começaria ainda em 2022.

Segundo o PSOL, porém, a pasta não foi transparente e tentou esconder a reunião e a parceria com Musk antes que ela fosse concretizada.

“Inegavelmente, estamos diante de um ato público, onde o Ministério das Comunicações deve conferir aos seus atos publicidade e ampla divulgação, primando o interesse público na parceria firmada com a empresa Starlink”, diz a legenda.

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O PC do B já havia feito uma solicitação de convocação de Fábio Faria por meio da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. O pedido também foi aprovado em forma de convite, ou seja, Faria não é obrigado a ir. A ideia é que as audiências convocadas pelas duas comissões sejam realizadas de forma conjunta no dia 8.

O Starlink é uma divisão da SpaceX (empresa de exploração espacial de Musk) que se propõe a oferecer internet rápida e de baixa latência para regiões remotas.

A parceria para satélites de baixa órbita não depende de licitação, e pode ser fechada por meio de um processo administrativo na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). A SpaceX recebeu a autorização da reguladora em janeiro deste ano. Os valores envolvidos na parceria não foram revelados até agora.

Além do convite a Faria, o PSOL ainda assina um requerimento de informações enviado ao Ministério das Comunicações. O ofício solicita a apresentação detalhada dos custos totais da comitiva presidencial para o encontro com Musk no Resort Fasano, a íntegra do processo de autorização da Anatel para a atuação da Starlink, o cronograma de lançamentos de satélites sobre a Amazônia e a razão para que o governo Jair Bolsonaro optasse pelo sistema de monitoramento de Musk em vez do sistema nacional gerido pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

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Pergunta, ainda, se foi feito algum acordo para que o bilionário possa explorar nióbio no Brasil e se o curso das eleições deste ano foram discutidas entre Musk e o presidente da República.

Por enquanto, a cobertura da Starlink no Brasil abrange os estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e parte de Minas Gerais. O serviço chegará “em breve” à região Norte, segundo o mapa disponível no site da empresa.

Para se conectar à internet de Elon Musk, o usuário precisa estar na área de cobertura, comprar um kit Starlink (roteador Wi-Fi, fonte de energia, cabos e antena) e assinar o serviço.

No Brasil, os preços seguem a cotação do dólar e são acrescentados de impostos de importação. O equipamento custa R$ 3.365 (frete incluso) e a assinatura sai por R$ 530 ao mês. Um plano de internet banda larga com a mesma velocidade prometida pela Starlink custa cerca de R$ 120 ao mês em São Paulo.

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