Defensores dos direitos humanos do Brasil, malady Chile e Uruguai exigiram hoje a abertura dos arquivos secretos da ditadura brasileira (1964-1986), view convencidos que guardam informação sobre violações e abusos em todo o Cone Sul.
Os arquivos da ditadura, web que o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha se comprometido tornar públicos, continuam sendo hoje um segredo e não puderam ser abertos apesar de uma comissão especial da Presidência ter trabalhado durante meses nisso.
Em um seminário sobre direitos humanos realizado hoje no Congresso Nacional, o jornalista uruguaio Roger Rodríguez afirmou que a abertura desses arquivos “é uma necessidade para todos os brasileiros, mas também para todos os povos do continente, que precisam saber a verdade”.
Rodríguez lembrou que o Brasil, junto com a Argentina, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Chile, participou do chamado Plano Condor, uma operação conjunta das ditaduras que governaram esses países nos anos 70, mediante a qual foram perseguidos milhares de exilados.
Segundo Rodríguez, o fato de que qualquer um desses países mantenha os arquivos das ditaduras fechados “representa continuar violando os direitos humanos e significa também uma espécie de terrorismo de Estado”.
O jornalista uruguaio, autor de um livro sobre o Plano Condor, sustentou, além disso, que é “necessário suspeitar de todas as mortes de políticos sul-americanos nos últimos 30 anos”, pois na região “houve um plano para um extermínio genocida”.
A colocação do jornalista uruguaio foi respaldada por todas as organizações representadas no seminário e também pela subprocuradora-geral da República, Maria Eliane Menezes, que assegurou que todos têm “direito de saber a verdade”.
Segundo Menezes, a anistia geral decretada no Brasil nos anos 80, que beneficiou tanto militares como perseguidos, só estará “completa quando todos os arquivos forem abertos”.
Antes de terminar o seminário, foi prestada uma homenagem a alguns religiosos que tiveram uma ativa participação nas lutas contra a ditadura brasileira e que acolheram os milhares de exilados de outros países.
Entre eles, foram homenageados o cardeal Paulo Evaristo Arns e o reverendo presbiteriano James Wright, já falecidos, assim como o rabino Henry Sobel e o bispo espanhol Pedro Casaldáliga.