Menu
Política & Poder

Ex-secretária de ‘Careca do INSS’ admite acesso a cofre em depoimento à CPMI

Aline Barbara Mota de Sá Cabral negou se lembrar de repasses para propina, mas confirmou acesso ao cofre do empresário investigado por fraudes no INSS.

Redação Jornal de Brasília

02/03/2026 21h30

Atualizada 03/03/2026 0h39

careca do inss

Lula Marques/ Agência Brasil

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ouviu nesta segunda-feira (2) Aline Barbara Mota de Sá Cabral, ex-secretária e gerente administrativa de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como ‘Careca do INSS’.

Ela admitiu ter acesso ao cofre de Antunes, mas disse não se lembrar de ter repassado dinheiro ao motorista dele. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), citou depoimentos segundo os quais Aline separava valores para pagamento de propina em um esquema de fraudes no INSS, envolvendo descontos indevidos em aposentadorias sem autorização dos beneficiários.

Antunes é investigado por suspeita de articular esse esquema. Aline afirmou desconhecer a origem dos recursos movimentados por ele, que se apresentou como ‘empresário de sucesso’ ao contratá-la. Ela relatou que o acesso ao cofre foi autorizado por Antunes para compras de insumos para o escritório, sem registrar as retiradas ou saber o montante disponível.

Durante o depoimento, Gaspar perguntou se ela já havia retirado dinheiro do cofre para repassar ao motorista de Antunes. ‘Pode ser que sim, mas eu não tenho certeza. Não me lembro’, respondeu.

A depoente, apontada como ‘braço direito’ de Antunes, também mencionou ter acompanhado a compra de um imóvel da publicitária Danielle Fonteles em Trancoso (BA) feita por ele, mas negou participação no pagamento e disse desconhecer o valor da operação. Danielle Fonteles teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados pela CPMI em 26 de fevereiro.

Aline compareceu à audiência amparada por habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que garantia seu direito ao silêncio. Apesar disso, ela respondeu a diversas perguntas. Gaspar criticou o uso do instrumento, afirmando que ‘mesmo um habeas corpus do STF tem limites’ quando as questões não incriminam a testemunha.

‘Nos meus 24 anos de Ministério Público, ouvi milhares de testemunhas. Sabe quantas chegaram com habeas corpus? Na minha atuação como promotor, nenhuma. Mas estamos vivendo novos tempos no país’, declarou o relator.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado