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Política & Poder

Ex-diretor que nomeou 97 ‘fantasmas’ terá de devolver R$ 266 milhões

O valor foi calculado “considerando os desvios praticados, o enriquecimento ilícito obtido e os prejuízos causados aos cofres do Estado do Paraná”, informou a Promotoria

Redação Jornal de Brasília

31/07/2025 22h42

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Foto: Reprodução/RPC

São Paulo, 31 – O ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa do Paraná Abib Miguel, o “Bibinho”, de 85 anos, fechou acordo com o Ministério Público estadual para devolver R$ 258 milhões e pagar multa de R$ 3,6 milhões no âmbito de uma investigação em que ele é o alvo principal por desvios de recursos públicos. O valor foi calculado “considerando os desvios praticados, o enriquecimento ilícito obtido e os prejuízos causados aos cofres do Estado do Paraná”, informou a Promotoria.

O Estadão tentou contato com os advogados de Abib, mas não havia obtido resposta até a publicação deste texto.

A Promotoria imputa ao ex-diretor os crimes de corrupção, peculato, organização criminosa, lavagem de dinheiro e outros apurados nas operações Diários Secretos e Argonautas, deflagradas há cerca de 15 anos. Os desvios atribuídos a Abib teriam ocorrido em meio a um esquema por ele conduzido com emprego de “laranjas” e inclusão de 97 “fantasmas” na folha salarial do Legislativo.

Acordos

O pagamento milionário a que Abib se comprometeu faz parte de acordos de delação firmados com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), núcleo de Curitiba. Os acordos foram recentemente homologados pela Justiça e abrangem ações penais em que é réu o ex-diretor da Assembleia. A partir da homologação, os processos ficam suspensos.

Os desvios na Assembleia foram revelados pelo jornal Gazeta do Povo em várias reportagens, em 2010. A série “Diários Secretos” também foi exibida pela TV RPC. Os veículos analisaram mais de 700 exemplares do Diário Oficial da Assembleia, entre 1998 e 2009, e constataram dois mil atos que incluíram 97 “fantasmas” na folha salarial do Legislativo estadual. O esquema atribuído a Abib, que envolvia também o emprego de “laranjas”, prevaleceu por cerca de dez anos. Ele teria ocultado os valores ilicitamente recebidos por meio de quase 60 atos de lavagem de dinheiro.

As ações criminais resultaram em condenações que, somadas, chegam a 250 anos de reclusão. Abib ficou preso por oito anos. Ele foi, entre 1997 e 2010, responsável pelo desvio de R$ 216 milhões, em valores atualizados, segundo a denúncia.

Estadão Conteúdo

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